quarta-feira, 5 de maio de 2010

A Estratégia do Oceano Azul em 123 caracteres [parte 1].

quarta-feira | 5 de maio de 2010

Já leu A estratégia do Oceano Azul? Tem que ler! O livro é demais e pode ser resumido na expressão Movimentos Estratégicos. Movimentos Estratégicos é simplesmente o Fator OCEANO AZUL. E o conceito do livro pode ser resumido assim: é o conjunto de decisões e ações gerenciais que resultam em importantes produtos e serviços capazes de criar novos mercados. Se no twitter é moda resumir livros em 140 caratecteres, então estes 123 resumem tudo o que pode ser lido nas 268 páginas escritas por Chan Kim e Renée Mauborgne. Seria ótimo se pudéssemos mesmo explicar o livro nestes poucos caracteres, mas não é tão fácil assim. Por isso dividimos um este texto em dois, para não ficar muuuuuito cansativo. Hoje postamos a [parte 1] e em breve sai a [parte 2] com os principais conceitos do livro. Vamos lá:

Criando inovação de valor

Criar oceanos azuis significa não tentar competir com os concorrentes do setor, em mercados já conhecidos – chamados de oceanos vermelhos - e sim criar espaços inexplorados pelo mercado. Mas como criar este oceano azul? Para isso é preciso uma estratégia denominada inovação de valor, que consiste em alinhar inovação com utilidade, preço e ganhos de custo. Essa questão de preço, custo e lucro é bem complicada, mas dá uma olhadinha na figura ao lado, scaneada do livro, que pode ajudar um pouco. Ali dá para ver que, diferente do que naturalmente pensamos e que é a prática do mercado (a precificação a partir do custo) a primeira coisa a definir é o preço estratégico para depois pensar no lucro e no custo. Se ainda não deu para entender muito bem, aqui tem case de oceano azul dos relógios Swatch.

N
a prática, deve-se reduzir os custos, mas, ao mesmo tempo, aumentar o valor para os clientes. Para isso, a empresa deve pesquisar quais são os interesses do cliente e depois deve averiguar se não tem nenhuma outra organização oferecendo o serviço. Se não tiver, ótimo! Se tiver, já estará entrando em um oceano vermelho, ou seja, é melhor cair fora e tentar outro negócio, porque não estará atingindo o objetivo de criar um novo mercado. O modelo das 4 ações é um bom início para se pensar em como criar este novo mercado.

O modelo das 4 ações

O
s autores dão algumas dicas de como tirar uma empresa dos oceanos vermelhos e inseri-la em um oceano azul. Uma delas é seguir o modelo das 4 ações: reduzir, elevar, eliminar, criar. A eliminação e a criação fazem com que a empresa mude seus próprios atributos, tornando irrelevantes as atuais regras de competição. A empresa pode eliminar até mesmo os principais atributos do setor, aqueles que o caracterizam, e criar algum outro não pensado pelos concorrentes. Com isso, seria capaz tanto de roubar clientes da concorrência quanto de atrair outros de setores não-concorrentes. Quer um exemplo?

Cirque du Soleil = circo + teatro

N
enhum exemplo do livro é melhor e mais próximo a nós hoje do que o Cirque du Soleil, que esteve esta semana em Porto Alegre. Com a turnê Quidam, a trupe circense tem levado sua magia e também toda sua inovação de oceano azul por todo o Brasil. Mas como ele se reinventaram? Justamente aplicando na prática a matriz de valor das 4 ações:

• Eliminar: Astros circenses; Espetáculos com animais; Descontos para grupos e Espetáculos em vários picadeiros.

• Elevar: Picadeiro único.

• Reduzir: Diversão e humor e Vibração e perigo
• Criar: Tema; Ambiente; Várias produções e Músicas e danças artísticas.


Eliminando, elevando, reduzindo e criando valores. Foi isso que o Cirque fez. A ponto de obter um público novo = espectadores do circo + espectadores do teatro. Quando pensamos em circo o que vem em mente? Ingressos baratos, estruturas coloridas e simples, desconforto (sentar por horas em bancos de pau), altos custos de cuidados com animais (além de problemas ambientais), picadeiros (atenção deve ser focada em vários pontos), falta de envolvimento (os atores simplesmente aparecem já executando suas funções, com a intenção entreter o público sem tema abordado).

E
quanto a teatro? Ingressos caros, público selecionado, ambiente requintado, temas variados, sofisticados e envolventes, produção artística. O Cirque partiu daí e com alguns ajustes construiu um novo modelo de negócios. Passou a produzir espetáculos mais sofisticados, inspirados até em musicais da Broadway. Em outras palavras, o novo conceito oferece o melhor do circo e do teatro.

N
a [parte 2] iremos trabalhar os seguintes tópicos: Oceano azul: vale a pena?, Nem tudo são flores, A renovação: quando inovar em valor de novo? e #Ficadica. Até breve.

_ _ _

5 comentários:

Andressa Carrasqueira 6 de maio de 2010 12:54  

Gente, parabéns pelo post!! Mto bom!!
Agora, o grande lance é COMO aplicar o Eliminar, Elevar, Reduzir e Criar. Tarefa difícil, que requer muuuuita análise de risco, principalmente para empresas menores, que são as que mais sofrem no oceano vermelho...
Tô esperando a parte 2!

Cris, errante... 6 de maio de 2010 19:05  

Gostei do post! O case ilustrando a ideia tornou muito mais fácil a compreensão da mesma.
Abs,

Fernando Alves 7 de maio de 2010 13:41  

O Post é muito bom, apesar de eu ter algumas restrições em relaçao ao livro.
Porém, o que acho mais legal neste Blog é a oportunidade de opniões divergentes discutirem os mais variados assuntos.

Ocappuccino.com 7 de maio de 2010 21:05  

Andressa. Valeu e tocou no ponto exato, de que forma saber aplicar a matriz das 4 ações. Muita pesquisa de mercado e conhecimento dos públicos e o mais importante: capacidade de percepção dos movimentos estratégicos.

Cris. Que bom que ficou de fácil compreensão, as vezes queremos tornar fácil e não conseguimos. Afinal este é nosso objetivo aqui, simplificar.

Professor Fernando. Nosso blog nasceu justamente para isso, para discussão. Gostaria de saber quais críticas tem ao livro para que possamos continuar o debate aqui.

MATEUS

Fernando Alves 8 de maio de 2010 18:11  

Caro Mateus, não gosto do tom auto ajuda da obra, nem da utilização exagerada de metáforas para tentar explicar o mercado. Não podemos nos esquecer que para traduzirmos uma metáfora sempre utilizaremos nossos referenciais de vida e culturais, o que pode levar a falsas interpretações.
Segundo prof. Sergio N. de Carvalho,"o uso figurado não é útil conceitualmente: quando usado, tem o papel de ludibriar o pensamento ou de embelezar as idéias prosaicas".

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