sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Monografando.

Por Massimino Delazeri, estudante de Relações Públicas da UFRGS

Depois de algumas semanas afastado do blog, trabalhando na minha monografia, estou de volta para falar sobre ela...

Quem já passou por essa etapa da graduação sabe muito bem do que estou falando. E quem ainda não passou pode se preparar para algumas noites mal dormidas e, dependendo da pesquisa, bastante trabalho.

No meu trabalho busquei identificar o processo de construção de um blog corporativo. No início a minha ideia era selecionar alguns blogs e fazer uma pesquisa de caráter mais quantitativo, através da observação direta, identificar características em comum na estrutura e no relacionamento com os usuários.

Mas, ao discutir sobre a pesquisa com o meu orientador Alex Primo, ele me aconselhou a utilizar a metodologia de pesquisa exploratória no formato de estudo de caso. Essa metodologia consiste em identificar um objeto de estudo e a partir de diversas fontes coletar informações e fazer uma descrição detalhada do objeto de estudo.

Para pesquisar escolhi o Claro Blog, blog corporativo voltado para o público externo - desenvolvido pela operadora de telefonia móvel Claro. Escolhi o Claro Blog como objeto de estudo por ser o blog corporativo de uma empresa com um enorme número de clientes diretos, e por recentemente ter conquistado um prêmio na área de relacionamento com o cliente – Prêmio ABT – na categoria Soluções Tecnológicas, que reconhece as práticas de relacionamento com o uso da tecnologia.

Coletei muitas informações interessantes que mais adiante transformarei em post para partilhar aqui no blog.

Por ora, aproveito o espaço para agradecer a toda equipe do Claro Blog que muito gentilmente colaborou com a minha pesquisa. Ainda estou acertando os últimos detalhes da monografia, a data de entrega é dia 7 de dez. e a banca já está marcada para o dia 15 de dez. Torçam por mim!

Tem mais algum formando por ai? Mais alguém passando por essa experiência de pesquisador? Peço que colabore aqui conosco contanto um pouco sobre a sua monografia.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Modernização e ampliação de cenários: o RP nos meios digitais.

Por Fernanda Fabian, estudante de Relações Públicas da Unisinos

A mais nova da equipe Ocappuccino.com é a Fernanda Fabian, a Fê. É
estudante de RP; aspirante a analista de comunicação; um planejamento
de marketing ambulante. Aquela que deseja o saber da internet, ou curiosa
por ela, como queira: é louca por novidades na web - e fora dela. É
fascinada em redes sociais, blogs e sites. Aliás, fascinada em
comunicação. Em um mundinho só seu, repleto de livros, anotações,
links, músicas novas e os clássicos do rock n' roll (e da Cachorro Grande),
ela viaja por mundinhos alheios e constrói inúmeras relações entre eles.

Incessante, interessante e simpaticamente apaixonante.

A temática é bem abrangente e de ampla discussão: como perceber um cenário em constante mudança, em que precisamos compreender o que o consumidor de fato quer; atender as necessidades da política das empresas; identificar os reflexos de um simples comentário na rede, ao tempo em que verifica-se as necessidades de comunicação da organização; tratar com públicos totalmente variados (interno, externo...); criar e gerenciar um relacionamento com a mídia e com a comunidade; fortalecer ações on line e off line, e, pensar em como desenvolve-las a curto e longo prazo; estar sempre atualizado sobre assuntos que vão desde a política, marketing à comportamento na novela das 20h.

O RP de hoje precisa ser muito mais do que aprendemos em sala de aula, ele precisa ser totalmente flexível a mudanças e aos reflexos do mercado. E esse é um dos privilégios de relações públicas: não possuir um único foco e uma única forma de trabalho. É preciso saber ouvir e experimentar novas ferramentas, novos meios, novas informações. Principalmente para não correr o risco de o seu cliente falar em algo que você desconhece e acabar passando por desinformado.

Um dos caminhos mais acessíveis para isso tudo é a internet, mais especificamente as redes sociais. No dia 4 de setembro deste ano, o portal Mundo do Marketing publicou um levantamento realizado, que mostrou que as redes sociais são responsáveis por 62% do tráfego na internet brasileira.

Outra pesquisa de grande relevância e que vem ao encontro deste post, foi a divulgada pelo Valor Econômico no dia 6 de novembro. Foi feita com 1.277 internautas que escrevem com frequência nas redes, entre blogueiros e twitteiros brasileiros, e apontou que as redes mais acessadas por essas pessoas são o Twitter (68%), Orkut (63,1%), YouTube (28,7%), Blogger e Blogspot (25,9%). Ainda conforme o estudo, 90,1% dos usuários entrevistados usam a internet para pesquisar sobre produtos e serviços antes da compra; 79,3% fazem compras em sites e 42,9% recomendam o produtos e serviços nas redes sociais. As críticas são inseridas em todas as redes. No Twitter, 27,8% dos internautas criticaram marcas; o percentual de consumidores reclamantes foi menor nos blogs (15,1%), no Orkut (15%) e no YouTube (6,9%).

Essa é só uma dentre tantas outras pesquisas que comprovam que as redes sociais não são um simples modismo, mas sim uma forte tendências (alias, está sendo) para a comunicação. Nenhuma novidade até aqui para muitos não é? Mas quantos de nós está executando, de fato, na prática essas discussões? Ouve-se muitos cases de sucesso, praticados, muitas vezes por publicitários e marqueteiros, e os RPs? Sei que existem vários que utilizam dessa pratica, mas poucos créditos são refletidos às Relações Públicas. Um exemplo real foi o realizado pela Rede Globo e pela agência LiveAD, e foi premiado no Festival de Cannes: Mil Casmurros. Como muito bem apresentado aqui no blog anteriormente.

As mídias sociais são um canal infinito de possibilidades, e isso você descobre explorando elas. Não há um passo a passo ou guia definitivo, a criatividade é a sua maior, e melhor, ferramenta neste caso. Explorar novos caminhos, criar novos focos, interagir e planejar de forma efetiva e, principalmente, pesquisar sobre os públicos em questão e sobre as redes em que está sendo inserido o conteúdo são as melhores formas de ser obter uma aproximação com esta que é mais uma opção para os RP’s, as redes sociais.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

As Novas Waves da Google.

Por Amanda Barrin, estudante de Publicidade e Propaganda da PUCRS

Quando comecei a idealizar esse post pensei em falar sobre as possibilidades do Google Wave, poder integrar em uma só ferramenta todos aplicativos da Google. Entretanto são tantas novidades acontecendo com a toda poderosa da internet que alguns projetos merecem sem comentados até para que fiquemos por dentro do que a mais poderosa da internet nos promete.

Eis um videozinho (ative a legenda em português) sobre a história da Google e fatos marcantes nesse 11 anos.


WAVE
A nova ferramenta promete ser a mais poderosa da empresa, mas atualmente o Wave é tão complicado que nem da vontade de descobrir inúmeras possibilidades uma vez que ela é um misto de e-mail, rede de relacionamentos e buscador. Em tempos que a velocidade e a praticidade são fundamentais para se disseminar informação, o Wave vem na contramão, pelo menos é o que se percebe em sua versão preview. Até por ser uma versão crua, suas funcionalidades são muito complicadas. O projeto é como um diamante bruto a ser lapidado, será muito mais atrativo quando for mais simples.

Fora os contratempos, a proposta do Google Wave é incrívelmente útil, essa ideia de all-in-one é bastante atrativa, uma vez que hoje o nosso tempo é precioso e gastamos boa parte desse tempo gerenciando nossos eus virtuais, sejam eles no Orkut, My Space, Twitter, Facebook e genéricos. Por exemplo, Pode ser criar uma enquete com auxilio do maps, para se localizar. Imagine, todo mundo marcando no mapa onde estará, torna-se muito mais fácil encontrar as pessoas e encontrar caminhos, tudo na mesma wave. Resumindo, a palavra integração diz muito sobre o que o Wave pretende ser.

NOVO ORKUT
Impulsionada pelo crescimento do Facebook no Brasil, a Google lançou o novo Orkut, que nada mais é que o Orkut antigo com um novo layout, e algumas, poucas, novas funcionalidades. Retomaram o sistema de convites, gerando um grande buzz. Criaram um usuário personagem para ser a ponte entre a Google e os usuários da rede de relacionamentos, Danilo Miedi. Esse personagem é o responsável pela disseminação das novidades e dos convites. A estratégia de comunicação deu certo, era aparecer o grande “O”do Orkut no perfil, simbolizando que estavam usando a nova versão, que choviam pedidos de convite. Uma coisa que me incomodou bastante, um erro de comunicação imperdoável e inexplicável de uma empresa do porte da Google, que deixou muitos usuários descontentes, foi que na imprensa foi divulgado que o “O” apareceria nos perfis de quem tivesse convites para distribuir, que não foi verdade, o símbolo aparecia em todos os perfis que estava utilizando a ferramenta com nova roupagem. Gerou mal estar entre usuários que por muitas vezes passaram por mentirosos diante de seu amigos. Uma falha de comunicação dessas gera um grande comentário negativo, que nunca é bom já que no comportamento organizacional o falem mal, mas falem de mim não cabe.

Nada original o novo Orkut deixou de ser simples e ficou muito desorganizado. Como foi divulgado, tudo está na pagina inicial, difícil é descobrir onde. O aplicativo de fotos e vídeos tiveram significativa melhora, com mais agilidade, menos bugs e mais organização. A barra de status do usuário pode ser comentada, como no Facebook, aliás o Orkut virou uma cópia do Facebook.

CHROME OS
Os pilheiros de planão já estão dizendo que o OS da Google é a grande batalha com a a Microsoft, mas o que eles não esperavam é que essa não é a intensão da Google, pelo menos por enquanto. O Sistema Operacional da Google na verdade é um grande navegador de internet. Implantado somente em netbooks, o Chrome OS não permite a instalação de programas, sendo que a proposta é que se use programas online. E antes que se pergunte e o que farei quando não tiver conexão disponível a Google garante que os aplicativos disponibilizarão versões offline. A Google deixou claro que não vê o netbook como único computador do usuário, dizendo que esses usuários geralmente tem uma maquina mais poderosa em casa. Outro ponto forte sobre o OS é a segurança, a Google garante que o Chrome tem uma forte segurança até contra ele mesmo, não permitindo que se infiltrem no sistema. Agora é esperar pra ver. Aí um videozinho explicando melhor o OS, a legenda está em espanhol, mas vale a pena assistir.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Os dois lados das redes sociais.

Por Cibele Silva, estudante de Relações Públicas da Metodista/SP e Mateus Martins, estudante de Relações Públicas da UFRGS

A Web 2.0 contemporiza-se da primeira geração da internet pela dinâmica das interfaces das páginas que são praticamente estáticas da Web 1.0, onde o internauta tem um grau maior de interatividade e colaboração para o desenvolvimento de conteúdo.

Dentro deste contexto o desafio das organizações está além da capacidade de fazer a comunicação como sempre se fez, deve-se ainda, ser capaz de atuar de forma efetiva e estratégica no relacionamento com as redes sociais e ambientes colaborativos.

No atual cenário de interatividade e colaboração das redes sociais, os consumidores e usuários de conhecimento sentem-se cada vez mais à vontade para opinar e discutir sobre mídias, produtos e serviços.

Tim O´Reilly, grande estudioso da internet, em seu livro Open Source Paradigm Shift (2004), afirma que o valor competitivo das empresas nesta nova era da internet residirá na habilidade de entender como os usuários adicionam valor às informações e serviços que elas oferecem, e que elas deverão encorajá-los a fazer, realizando um relacionamento e montando credibilidade sobre a propaganda na rede.

Confirmando a importância das redes sociais para as empresas, a pesquisa Nielsen: Trust In Advertising Oct07, sobre a credibilidade da propaganda tradicional realizada em 47 países, aponta que 78% dos entrevistados acreditavam mais em recomendações de outros consumidores do que em propagandas tradicionais, e que 61% confiavam em recomendações postadas em comunidades online. Em contrapartida, apenas 14% disseram acreditar em propagandas tradicionais, a famosa chapa branca. No Brasil, segundo percentuais disponíveis no site To Be Guarani a internet é o terceiro maior veículo em extensão de alcance no Brasil, e 90% dos consumidores procuram sugestões de pessoas conhecidas, enquanto 70% confiam em opiniões expressas online.

Nesse domínio, falar de estratégia e de relacionamento entre públicos traz à tona a importância das relações públicas para esse cenário, principalmente no tocante à questão de criação de comunicação de via de mão dupla. Se a campanha não for bem desenvolvida pode causar danos, como a campanha publicitária, da Skol, para o concurso cultural Redondo é rir da vida. A princípio era para instigar o público a produzir e enviar vídeos, mas como podemos perceber abaixo na apresentação do Rafinha Bastos e na repercussão nos comentários do vídeo no youtube, a iniciativa não foi tão engraçada assim:

Grande estratégia da Skol: chamar o público para participar de uma campanha, com personagens como Rafinha Bastos e Danilo Gentili, ícones do humor e da alegria, não acham? Mas eles não contavam com o poder de produção, transformação e viralização das redes socais e Ronald Rios subverteu a brincadeira e – ao criar uma paródia do vídeo promocional – fez o público rir e pensar que a campanha da cerveja não era tão engraçada assim. Leiam o excelente artigo, A SKOL NÃO SABE RIR DA VIDA, postado no PLOG | O blog do Patrício Jr. Pois brincar com algo como uma droga com potencial causador de dependência não é tão simples. Assistam:

Mesmo uma campanha supostamente bem planejada pode causar repercussões inimagináveis no público. Vejam só o exemplo da Skol: 1. a ideia: provocar o público a gravar vídeos com história engraçadas 2. a ativação: como garotos propagandas dois grandes do stand-up comedy 3. o mote: você é o ator, você faz o palco e você escreve o texto 4. o objetivo: virilizar a campanha 5. a contrapartida: os 10 vídeos escolhidos fazem parte de um comercial da marca e aparecem no site.

Com um belo planejamento como este, o que deu errado? Como evitar alguns incidentes como este? É possível mensurar ou tangibilizar as reações dos públicos sobre as campanhas? Como você, leitor, faria – e faz – isso antes de planejar e aprovar uma ação? Talvez a ideia fosse tão boa que não tentaram destruí-la, não tentaram questioná-la. Claro que é lógico associar cerveja, festa, diversão, mas Ronald Rios mostrou que existe também o outro lado.

Ah, no site Redondo é rir da vida dá pra ver os vídeos ganhadores do concurso e pelo menos, se não gostar, tocar tomates neles.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

As Relações Públicas no Esporte

Hoje convidamos @Brenomoreira para nos contar um pouco sobre seu
foco como Relações Públicas: o esporte. Breno tem 26 anos, é Relações
Públicas e Administrador (habilitação em Promoção de Eventos,
Esportes e Lazer). Suas experiências no esporte: ACE – Marketing
Esportivo. Clientes: América FC, Pitágoras/Minas, Bonsucesso/MOC,
Festival de Esportes/Mercantil, lei de incentivo ao esporte e eventos
esportivos. Clube Atlético Mineiro (Marketing).


Em alta, o esporte tem despertado o interesse de muitos profissionais e isso também se deve à realização da Copa 2014 e das Olimpíadas 2016. Nosso país passará, até o fim destes anos, por muitas provas de fogo, mas é preciso pensar no presente, nas oportunidades e nas mais variadas formas de comunicação relacionadas ao esporte.

Futebol é a paixão nacional, porém em termos de gestão, notamos que está a um passo atrás de algumas modalidades do chamado esporte especializado. Um dos possíveis motivos para tal amadorismo pode ser identificado pela paixão excessiva, que deve ser dosada para deixar de ser prejudicial e tornar-se produtiva.

O esporte é emoção. Isso torna o trabalho prazeroso, e é ai que se encaixa o profissional de Relações Públicas. Nos clubes esportivos exercemos um papel fundamental no planejamento estratégico. Todavia não podemos viver esse clima contagiante e agir desordenadamente. Devemos conhecer de perto o negócio, os públicos, os pontos fortes e fracos, as ações estratégicas e etc. Este processo funciona como qualquer outro e todo sistema de comunicação contribui para o constante crescimento das instituições, bem como para a sua marca.

Podemos destacar alguns pontos que podem ser trabalhados por profissionais de RRPP direta ou indiretamente: relacionamento com o torcedor (CRM) e stakeholders, operações e ações para os jogos, ativação de patrocínios, comunicação interna e institucional, ações de responsabilidade social, resguardar a identidade e padronizar toda comunicação visual, coordenar eventos, realizar pesquisas (quantitativas e qualitativas), desenvolver projetos e trabalhar em sinergia com os departamentos Comercial e Assessoria de imprensa, além de ter participação em administração de crises, implantação ou continuidade da qualidade total e recursos humanos. O profissional atualizado, atento às inovações, cenários e tendências, certamente irá se destacar, pois tudo o que circunda o esporte pode ser visto como oportunidade. A indústria do entretenimento pode ser um bom exemplo para o desenvolvimento contínuo do esporte.

Creio que, na maioria dos casos, os profissionais da comunicação estão inseridos nas assessorias de imprensa e nos departamentos de marketing, onde os torcedores já estão sendo tratados como consumidores, e com enorme potencial perante a um momento que exige uma gestão profissional dos clubes e da indústria do esporte.

O planejamento estratégico deverá considerar a diversidade do público ligado ao clube, respeitado os diferentes perfis, com suas características e peculiaridades. Além disso, a imagem e identidade da marca deverão ser trabalhadas através de ações e eventos bem sintonizados e dimensionados.

Enfim, temos que estar antenados para levar aos stakeholders um pouco da emoção das partidas por meio das experiências, sensações, sentimentos, pensamentos e identificação com o clube.

As áreas de comunicação, no contexto esportivo, são um campo fértil para a criatividade, onde é preciso ousar e inovar com riscos calculados. Os profissionais de Relações Públicas têm sido audaciosos ao longo dos anos e peças-chave na luta pela sobrevivência corporativa, criando assim, novas oportunidades de trabalho. O desafio está em aproveitar os eventos que estão acontecendo, os que estão por vir e as portas que se abrirão pós Copa e Olimpíadas. Para isso, é preciso qualificar-se e trabalhar para deixar o legado de bons frutos.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Encante e seja encantado.

Por Betânia Castoldi, estudante de Relações Públicas da PUCRS

No dia 20 de outubro assisti a palestra Como a Renner cresceu de 8 para 118 lojas de José Gallo, presidente das Lojas Renner. A palestra que ocorreu na ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing, era justamente para contar como as Lojas Renner cresceram tanto, de 8 lojas em 1992 para 118 em 2009. E qual estado não tem Lojas Renner? São poucos e para se ter uma idéia a empresa, que é gaúcha, já conta com 35 filiais em São Paulo e apenas 15 no RS. Essa história recente de sucesso se deve à Política de Encantamento.

Antes de falar da trajetória de crescimento da corporação, Gallo nos mostrou alguns números interessantes da rede que conta hoje com 10.500 colaboradores: é a 2° maior rede de loja de departamentos de vestuário (atrás da C&A), 94% das lojas são em shopping e já foram feitos 14,5 milhões de cartão de crédito da loja, nos quais 40% estão ativos. Falou também das principais concorrentes, C&A e a Riachuelo, mas frisou que sua maior concorrente ainda é a rede informal do varejo que trabalha sem nota.

ENCANTAMENTO
Segundo o CEO da Renner, o Encantamento das Lojas Renner funciona na linha entre as Expectativas e a Satisfação dos clientes. A implantação da Política de Encantamento começou a partir da construção de uma visão: Encantar a todos é a nossa realização. Esta é a visão, mas Gallo sabe que não funcionaria somente como um quadro na parede e para que ela fosse vivida internamente era preciso saturar a empresa com a voz do cliente, envolver e motivar a todos, delegar autoridade total aos funcionários (confiar nas pessoas) e reconhecer os heróis através de prêmios e destaques.

José Gallo nos ensina alguns passos trabalhados internamente para criar o encantamento: Empatia com o Cliente: Coloque-se no seu lugar. Presteza: A disposição de ajudar clientes, resolver problemas, fornecer serviços. Segurança: O conhecimento e a cortesia dos funcionários e sua capacidade em transmitir segurança e confiança. Confiabilidade: A capacidade de fornecer o que foi prometido, de forma segura e precisa.

O sentido do trabalho da Renner é: Quem encanta é encantado. E seguindo nessa cultura diferenciada de encantamento eles utilizam uma linguagem corajosa, surpreendente e única, construindo uma empresa não só em cima de preços, mas baseada no relacionamento com as pessoas e principalmente focada na mulher, pois é ela que compra para o marido, namorado, filhos, etc. Isso fica bem visível ao observarmos a sua proposição de valor: Ser a loja cúmplice da mulher moderna, com moda em diversos estilos, com qualidade, a preços competitivos, em ambientes práticos e agradáveis. E Gallo completou dizendo que espera que as mulheres ao entrarem em qualquer uma das lojas sintam-se em um verdadeiro spa urbano, onde elas serão encantadas e esquecerão de suas preocupações.

COMUNICAÇÃO E REPOSICIONAMENTO
Conforme o slogan da loja Você tem seu estilo, a Renner tem todos, a loja apresenta suas roupas e acessórios baseados em diferentes estilos de vida: Casual, jovem, neo tradicional, sensual e contemporâneo. E os negócios da empresa são todos voltados ao tempo que esse público tem disponível, ou seja, eles procuram sempre reduzir o tempo de espera nas filas, posicionar os produtos de forma que fiquem atraentes e sejam facilmente encontrados. Mas o ponto mais forte , ou seja, a marca registrada das Lojas Renner é o encantamento desses clientes através do atendimento. O CEO da Renner acredita muito que a comunicação é mais eficiente quando feita boca a boca por clientes encantados. A rede faz essa medição através do Encantômetro, que em 2008 registrou 96% de clientes encantados e satisfeitos, dentre 18,2 milhões de opiniões.

Gallo diz que a maior riqueza da Renner são as pessoas que geram histórias de encantamento, e que já são 110 mil histórias todas publicadas em um livro. Peça chave neste processo é o atendimento do colaborador, que é avaliado através do Cliente oculto, e a partir daí surgem os destaques do mês, além de outras campanhas motivacionais como prevenção de perdas, PPR, etc. A comunicação interna acontece através de Jornal interno – Planeta Renner, Canal Renner – vídeos mensais, Pesquisa de clima interno e Café da manhã com o presidente – onde alguns colaboradores são escolhidos.

Entrando mais no universo da comunicação, José Gallo nos contou sobre o processo de reposicionamento da loja, que é voltada para o cliente. Devemos entender o cliente e suas expectativas, e o entendimento das expectativas dos clientes passam por 4 pontos: sua experiência anterior como cliente, seu círculo de relacionamentos, a concorrência e o que a publicidade diz às pessoas. Na verdade se torna necessário exceder as expectativas dos clientes rotineiramente. E para isso é preciso identificar o cliente, conhecê-lo profundamente, e assim descobrir o que ele deseja e ser o melhor a fazer e/ou oferecer o que ele deseja. Gallo utiliza uma frase de Charles Lazarus, presidente da Toys’r Us, para resumir: Você tem que escutar os clientes e então agir com base no que disseram.

VAREJO E NOVOS CONSUMIDORES
Gallo finaliza deixando uma dica: O varejo é um mercado extremamente dinâmico em que você fica perto do consumidor. Existe uma carência de profissionais executivos para o varejo e para quem gosta de movimento e de gente essa área é brilhante, fonte de grandes oportunidades.

Particularmente adoro o varejo, tenho contato com esse meio através do meu estágio e pretendo ser uma executiva dessa área, pois gosto muito de lidar com diferentes públicos e tentar decifrá-los. Esses dias li uma reportagem do Jornal O Sul que me chamou a atenção, sobre o crescimento das classes D e E, que estão ganhando espaço no consumo. A reportagem diz que a classe C está perdendo sua atratividade, enquanto camadas inferiores são cobiçadas pela indústria e comércio no Norte e Nordeste do País. Os pobres do Norte e Nordeste estão consumindo mais que os ricos do Sudeste, e isso se deve principalmente à inflação em baixa e ao aumento real do salário-mínimo. Empresas antenadas, como a Camp – sucos em pó e prontos e a Perfetti Van Melle – bala Mentos, já detectaram o potencial deste novo mercado e já produzem produtos sob medida para as classes D e E, em embalagens menores e consequentemente mais baratas. A diretora da empresa de pesquisas LatinPanel, Christine Pereira, cita cinco produtos que ainda tem pouca presença na mesa dessas classes: creme de leite, leite condensado, maionese, molho de tomate e amaciante de roupas.

Essa reportagem afirma cada vez mais a dinâmica do varejo, como citou Gallo, e a necessidade das empresas enxergarem essas constantes mudanças e se adequarem aos seus públicos. Este assunto já vem sendo falado pelos especialistas em consumo e inclusive foi citado aqui no Ocappuccino com um post sobre o 22° Set Universitário da PUCRS. Apesar da reportagem afirmar que a classe C estar perdendo sua atratividade, a Renner ainda aposta neste público e não é por acaso, pois o crescimento da classe C, que aumentou de 27% para 40% entre os anos de 2006 e 2008, também é refletido pelo seu poder de compra. Embora a Renner seja focada nos públicos A- e B, esta nova classe C, que possui 71,3 milhões de pessoas com renda entre R$912 e R$2.470 e representa 27% do consumo, já é trabalhada em suas campanhas.

Abaixo veja os slides da apresentação Como a Renner cresceu de 8 para 118 lojas de José Gallo, presidente das Lojas Renner:

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Universo multirreferencial X Falta de tempo.

Por Bruna Franco, estudante de Relações Públicas da UFG

Há um bombardeio de informações vindo de todos os lados, desde a internet, até àquele senhor que fica gritando sobre o fim dos tempos na esquina da sua casa: tudo o que vivemos, falamos, ouvimos e sentimos é informação.

Muitas vezes não conseguimos lidar com essa quantidade sem-fim de coisas acontecendo simultaneamente conosco e passamos a nos questionar: O que é realidade? Até onde vai nosso imaginário? Estas questões são abordadas no filme Quem Somos Nós?, em que cientistas fazem uma tentativa de respondê-las.

O filme aborda questões como Quem é Deus?, O que os pensamentos podem fazer na nossa vida? entre outras, porém o foco do texto é: realidade X imaginário e como nos relacionamos com os excessos de informação existentes num curto período de tempo disponível.

Tempos atrás, acreditava-se que quanto mais informação melhor. Porém hoje sabemos que, principalmente na publicidade, menos é mais, o que quer dizer que um comercial criativo, que chame a atenção do público tenha mais chance de ser lembrado do que um comercial cheio de textos, sem nenhum atrativo adicional. As pessoas substituíram a leitura do jornal durante o café-da-manhã pela leitura diária via internet, seja no computador ou no celular, enquanto se está parado no trânsito ou durante o almoço, para que haja aproveitamento de tempo.

Muitas vezes fazemos uma leitura dinâmica, não prestando atenção aos detalhes. As vezes, não se dá a devida importância ao tema tratado por conta da pressa, tanto para resolver algo pendente quanto para poder dar continuidade à infinidade de matérias.

Só fixamos imagens e informações que sejam do nosso interesse e para isso, é preciso que a mensagem seja bem processada e tenha um artifício de fixação. Por exemplo o Marketing Sensorial, Marketing Experimental - ambos citados no post ♫ Quero ver pipoca pular ♫ Pipoca com Guaraná ♫, do Mateus.

Vivemos num mundo multirreferencial, ou seja, há abordagens sobre diversos assuntos, comportamentos e ações que estão interligadas, além disso temos rápido acesso a milhares de informações ao mesmo tempo. Porém, é preciso observar se essa multirreferencialidade é benéfica ou prejudicial no processo comunicacional. Dependendo da forma com que esteja sendo utilizada, faz confundir mais ainda algumas cabeças ocupadas, não surtindo o efeito desejado por aqueles que querem informar, comunicar, publicar, ensinar, enfim... nós comunicadores.

E para vermos o que o excesso de informações pode causar, nada melhor que exemplificar com um caso acontecido com a nossa colaboradora Belle, que havia me falado que tinha visto o mesmo tema sendo tratado na revista Eu, Mídia (nº 2 setembro de 2009), e quando eu lhe pedi que escaneasse a matéria, ela já não se lembrava mais o que realmente se tratava, e cheguei a conclusão que ela é um ser multirreferencial.

Logo que acabei de fazer este texto, me deparei com o novo comercial da Toyota para divulgar os novos motores híbridos da marca. Mostrando como ser dois, e assim, economizar tempo. Só para ilustrar a matéria.


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