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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Eleições 2010: as relações públicas na política.

quinta-feira 02 de setembro de 2010

O Relações Públicas é o mais qualificado para trabalhar e gerenciar campanhas de marketing político-eleitoral. Alguém desenvolveria melhor que ele uma política de relacionamento entre candidatos e eleitores?


O marketing político pode ser dividido em três tipos: eleitoral (para quem não tem mandato ou deseja se reeleger – campanha eleitoral); pós-eleitoral (para quem já tem mandato e deseja a manutenção e/ou ampliação do poder) e o partidário (trabalha a imagem e a comunicação dos partidos políticos).

Como estamos em ano eleitoral, este post será voltado para o marketing político-eleitoral. A campanha eleitoral já começou, mas ainda dá tempo de conhecer algumas dicas para você que deseja trabalhar ou que se interessa pela área.

Primeiramente, no gerenciamento de uma campanha eleitoral, o Relações Públicas deve saber que os objetivos principais da campanha são: promover a imagem do candidato e a campanha eleitoral propriamente dita e facilitar o relacionamento entre o candidato e o eleitor.

As etapas para o gerenciamento da campanha dividem-se, basicamente, em:

1. Diagnóstico: conhecer o eleitor, o candidato, os adversários, identificar qual a imagem que é transmitida pelo candidato...Enfim, nesta etapa você deve identificar o meio, a imagem e as pessoas que estão próximas do seu candidato e medir o perfil e os anseios do seu eleitor. Deve-se elaborar o briefing e a pesquisa.

2. Elaborar ações e estratégias para se chegar à vitória. Devem ser elaborados o organograma (quem vai fazer), cronograma (quando fazer), orçamento e as ações e estratégias a serem implementadas (encontros, reuniões, eventos, comícios, telemarketing e SMS, internet, jornal e programas de rádio e TV, assessoria de imprensa, entrevistas, mobilização de rua, etc...) Nesta etapa, então, criam-se as estratégias eleitorais para formar a imagem do candidato: o slogan da campanha, o jingle e o símbolo, elementos para a construção da identidade do político e, conseqüentemente, para a formação de uma imagem positiva perante os eleitores.

3. Planejar, coordenar e executar essas ações. Sempre trabalhar de forma integrada.

4. Avaliar os resultados das ações e estratégias. Esta etapa não deve ser executada somente no final da campanha. Os relatórios dos resultados devem ser apresentados quinzenalmente, para medir as ações implementadas e propor novas alternativas, caso estas não atinjam o resultado esperado.

IMPORTANTE: É indispensável ter conhecimento de legislação eleitoral. Assim, recomendo a leitura da Lei nº 9504/97 (Lei das Eleições) e das resoluções do TSE.

Com a nova legislação eleitoral, o uso da propaganda eleitoral na internet foi liberado e após o boom da social media com a campanha presidencial norte-americana de Barack Obama, perceberam que a internet é uma excelente ferramenta para se aproximar do eleitor e para ampliar a visibilidade do candidato, principalmente para aqueles que possuem um pequeno espaço no horário eleitoral gratuito.

Assim, para atuar na internet e nas mídias sociais, deve-se desenvolver um planejamento de marketing político digital. Este planejamento vai desde análise da matriz SWOT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças), a estudo dos projetos, públicos-alvos, seus principais concorrentes e seus objetivos nas redes. Identificar as redes sociais mais adequadas para aquele candidato, e o tipo de linguagem abordada, assim como detalhadamente todas as ações propostas. (André Telles, A Revolução das Mídias Sociais) Para o sucesso da campanha digital, o candidato deve saber que é necessário que ocorra a INTERATIVIDADE.

#dicas

  • Procure construir relacionamentos nas mídias com o cidadão
  • Promova discussões
  • Não pense em convencer os eleitores e sim ganhar a confiança deles
  • Conheça muito bem seu eleitor
  • Trabalhe de forma segmentada
  • MAIS IMPORTANTE: interaja e seja transparente
#bigfail
Para finalizar, é importante salientar que as campanhas on-line e off-line devem ser trabalhadas juntas e com a mesma importância. Elas devem se complementar.
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* * * Quer ir no @27confiarp? Use sua CRIATIVIDADE?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O impacto das novas tecnologias na Esfera Pública.

quarta-feira | 14 de julho de 2010

Mudança é a palavra de ordem na sociedade da informação. Hoje, as grandes tendências no mundo corporativo e social convergem para uma ação participativa dos cidadãos por meio de ferramentas de mídia social. Assistimos à emergência de uma expressividade que irá ampliar e aprimorar o processo democrático. Redefiniu-se o papel do cidadão. Suas expectativas mudaram. Eles estão mais engajados e fazem parte do debate político e social. A internet oferece uma arena para troca e compartilhamento de informações.

No atual cenário, o cidadão passou a ter voz e opinião. Ele produz conteúdos midiáticos, sem a intervenção dos grandes veículos de mídias e de grupos de poder para a formação da opinião na sociedade, ampliando, assim, a autonomia sobre as discussões sociais.

A Internet já redefiniu as relações entre os consumidores e as organizações, promovendo um espaço para reclamar e ser ouvido. O consumidor tem voz, vez e espaço. Dessa forma, as organizações públicas já perceberam que os cidadãos necessitam e exigem uma comunicação direta e bidirecional com as instituições, para discutir temas relevantes da sociedade. Apesar da presença online destas organizações não representar um percentual tão significativo quanto em relação às instituições privadas, existem bons exemplos de atuação de órgãos públicos nas mídias sociais. No formspring, estão presentes o Governo de São Paulo e o Ministério da Saúde. No Twitter temos o @TREGoias, @tsejusbr, @STJNoticias, @governosp e outros perfis.

Atualmente, após o boom da campanha eleitoral de Obama, discute-se as influências do Twitter na área político-eleitoral e na formação política do cidadão. Será que a atuação de candidatos políticos no microblogging representará e constituirá uma interação democrática e participativa entre cidadão e esfera pública política instituicional?

Habermas define a esfera pública como o locus da comunicação; espaços nos quais as pessoas discutem questões de interesse comum, formam opiniões ou planejam a ação. Nesta esfera é promovido o debate racional com visibilidade pública e tomada de opinião. Para o autor, a esfera pública é capaz de captar melhor novos problemas, conduzir discursos expressivos de auto-atendimento e articular, de modo mais livre, identidades coletivas e interpretações de necessidades.

Nota-se, portanto, que os meios de comunicação de massa não disponibilizam este espaço de debate. Existe uma comunicação unidirecional que não compreende a participação e a interatividade entre os cidadãos. As mídias de massa trabalham com a teoria do agendamento, ou seja, selecionam o que será noticiado à população de acordo com os interesses do veículo de comunicação.

Deste modo, emergiu através das mídias sociais esta esfera pública virtual, capaz de promover o compartilhamento de informações através da interatividade, por onde os cidadãos podem manifestar suas opiniões e produzir seu próprio conteúdo. Mudou-se a comunicação entre o indivíduo e o meio. Isso permitiu que o fazer político não se restringisse apenas aos representantes do povo, mas qualquer indivíduo que queira manifestar sua opinião.

A emergência da esfera virtual nas mídias sociais amplia o potencial de acesso, participação e de inteligência coletiva entre os cidadãos. A nova dimensão de realidade e virtualidade propõe uma aproximação entre o cidadão e as instituições, transcendendo barreiras de espaço. Promove-se, assim, a participação democrática e as possibilidades de discussões políticas entre os cidadãos; um espaço de troca de ideias, onde os participantes podem indagar e introduzir opiniões de assuntos em geral.
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O texto acima representa algumas ideias iniciais do meu projeto de conclusão de curso.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Marketing Político: pão e circo não são mais o foco!

Por Maria Alana, formada em Relações Publicas pela UFRGS

Estão se aproximando as eleições e mais uma vez assistimos a uma série de estratégias de Marketing sendo utilizadas para alavancar as intenções de voto. Não importa o partido, a categoria na qual concorre, hoje, todo político que se preze tem que ter na equipe de assessores bons marketeiros, se deseja vencer uma eleição.

Já passou a época em que o eleitor se orientava pelos ideais do partido. Há décadas, o mundo é dominado pela propaganda individual dos candidatos, lançados como produtos, construindo uma imagem espetacularizada e mais guiada por estética e fama do que pelas boas ideias. Infelizmente, em alguns casos o partido acaba se apoiando na imagem do candidato. Quanta fragilidade!

Você já analisou seu candidato antes de votar?

Jânio Quadros e seu slogan: Varrer a corrupção!

Já parou para analisar bem sua escolha de voto alguma vez? Foi atrás de informações sobre as trajetórias dos candidatos, pesquisou para saber se as promessas que fizeram em eleições anteriores foram cumpridas, quais as ideologias dos partidos etc.? Provavelmente, não! E, lamentavelmente, isso ocorre com quase todos nós. Afinal, quem precisa gastar tempo com isso se basta seguirmos o que as pesquisas mostram?

Segundo o site Portal do Marketing, nossa decisão de voto é influenciada por três componentes distintos: ideológico, político e eleitoral.

"O voto político é firmado de forma direta, numa relação pessoal entre candidato e eleitor. Em cidades pequenas esse fator é grande e chega a 80% da motivação dos votos.

O voto ideológico influencia apenas uma pequena parcela dos eleitores. O discurso de esquerda, de direita, do socialismo ou liberalismo afeta pouco mais de 5% do eleitorado, atingindo o máximo de 10% no mercado nacional.

O voto eleitoral representa o esforço concentrado de conquista do eleitor, é o campo de atuação do marketing político [sic]. Sua influência cresce com o tamanho do universo eleitoral. Chega a atingir até 70% das decisões de voto.

Essas definições são de um texto publicado em 2002, mas que já mostrava como somos altamente influenciados pelas estratégias de Marketing Político.

A Política é um espetáculo!

Em 2008, o teacher Obama, amparado por uma talentosa equipe de estrategistas em Comunicação, ensinou que, apesar de o espetáculo não ser dispensável, já não é tão necessário como antes. Graças à Internet, se o candidato não dispõe de muitos recursos para montar grandes comícios e seu próprio palco onde subirão atores Globais e cantores sertanejos - adaptei para o Brasil - que lhe darão apoio, ainda pode fazer um ótimo trabalho de divulgação na Web.

Obama investiu pesado na comunicação com os diversos públicos que compunham seu eleitorado. Ele, realmente, se diferenciou dos concorrentes, inovando no foco de sua campanha, que era baseado não só na imagem do candidato, mas na comunicação via web. O resultado? Grande arrecadação de fundos e uma das maiores famas da história presidencial conquistada por um político pouco conhecido antes das eleições.

Os marketeiros de Obama inovaram na maneira de se comunicar com os diferentes segmentos de eleitores, a ponto de trabalharem com todas as mídias sociais que você conhece e criarem um site com informações direcionadas para cada público: Womem, Students, Jewish Americans, Environmentalists, Obama Pride (para o público GLS), African Americans, Asian Americans & Pacific Islanders, Americans Abroad, Kids, Latinos, Veterans & Military Families, Sportsmen, Small Business, Seniors, Rural Americans, Republicans, People of Faith, Labor, Generation Obama (GO), Americans with Disabilities, Arab Americans, European & Mediterranean American e First Americans.

As últimas eleições norte-americanas mostraram que a utilização das ferramentas da Web 2.0 (como Facebook, Twitter, YouTube, Flickr etc.) em campanhas eleitorais é uma tendência que só vem a melhorar a comunicação entre candidato e eleitor, já que facilita o acesso a informações e estimula o debate através de fóruns de discussão ou mesmo Tweets. Os marketeiros da política, por sua vez, se esbaldam nestas facilidades, desfrutando de toda a popularidade das mídias sociais para fazer o que quiserem com a imagem de seus clientes.

Claro que, se Obama tentasse se eleger em um país como o Brasil, onde grande parte da população ainda não tem acesso à Internet - para falar a verdade, nem ao ensino de qualidade - é bem provável que suas táticas não fizessem tanto sucesso. Apesar dos nossos candidatos terem estes recursos ao seu dispor, ainda dependem muito de showmícios e mídias massivas, o que acaba influenciando na formação das alianças partidárias. Este é o caso, por exemplo, do PT e do PMDB - apesar de serem rivais em várias cidades e estados, uniram-se para apoiar a candidatura de Dilma Rousseff à presidência.

O tempo da propaganda eleitoral gratuita é determinado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e aumenta conforme a quantidade de representantes que o partido tem no país. Por isso, quanto mais deputados federais e senadores um partido tiver, maior será o período de exposição a que ele tem direito, seja na TV ou no rádio. Além de influenciar na união de partidos concorrentes, a desigualdade de tempo acaba dificultando a ascenção de partidos menores. Só para termos uma noção do que essas alianças significam, segundo José Dirceu (PT - SP) em entrevista à Rede Brasil Atual, PMDB e PT juntos podem eleger mais de 200 deputados, mais de 35 senadores e, aproximadamente, 15 governadores, o que representaria 39% da Câmara, 42% do Senado e metade dos executivos das unidades da federação. Agora, imagine todo este poder concentrado nas mãos de apenas dois partidos, até onde vai a democracia em casos como este?

quarta-feira, 3 de março de 2010

SEO para RP nas eleições 2010.

Por Joanna Romero, estudante de Relações Públicas da PUCRS

Hoje volto a falar de SEO – abordei este tema no último post. Ainda faltam alguns meses para as eleições deste ano, porém quero destacar alguns pontos importantes sobre ela e sobre os recursos para otimização de uma página nos mecanismos de busca.

Creio que muitos de vocês já estão informados sobre algumas mudanças em relação às eleições passadas, como a nova reforma eleitoral que agora permite o marketing político via web, ou seja, os candidatos poderão utilizar sites de relacionamento e redes sociais, como o Twitter, Orkut, Facebook, além de blogs pessoais para se promover. Também é permitido que a pessoa física faça doações através da internet.

“Além dos tradicionais palanques, os candidatos que participarão das eleições neste ano se preparam para o embate no mundo virtual.

Essa frase é de Vera Chaia, coordenadora e pesquisadora do Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC-SP, em entrevista à IstoÉ, em agosto de 2009. Ela está certa. Depois da grande campanha on line feita pelo presidente dos EUA, Barack Obama, nas eleições de 2008, o objetivo dos políticos e de seus assessores é conseguir fazer algo semelhante ao americano, mas sabemos que isso não é nada fácil. Exige muito planejamento e esforço. E Vera faz outra ressalva: O hábito do americano é muito diferente do hábito do brasileiro. O uso da internet e a participação política dependem muito da cultura de cada país. Portanto, deve levar alguns anos para que nosso país chegue ao nível dos EUA em se tratando de campanhas políticas virtuais. Uma porque aqui o número de pessoas que acessam a internet é bem menor do que lá e podemos dizer o mesmo da quantidade de pessoas que acompanham a política via web.

Uma novidade nas eleições de 2010 que poderá ajudar significativamente no sucesso de um candidato na web são as estratégias de SEO – (Search Engine Optimization). Além de ajudar empresas, pode beneficiar também partidos políticos e candidatos. Ao contrário dos links patrocinados (pagos), SEO não é considerado publicidade e pode ser utilizado livremente.

O bom posicionamento do nome do candidato ou de sua página virtual nos sites de busca (Google, Yahoo!, Bing..) pode dar mais visibilidade a ele - e o melhor de tudo é que para isso não é necessário uma grande verba. Um candidato a deputado estadual ou até mesmo a vereador tem condições de obter bons resultados, se feito um bom trabalho, com a ajuda de um profissional qualificado, é claro. Se a página oficial do candidato possuir palavras prováveis de serem digitadas na hora da busca feita pelo eleitor, ponto! Já terá vantagem sobre os demais concorrentes.

Outros que poderão obter benefício das estratégias de SEO são aqueles candidatos menos conhecidos, que pouco aparecem na TV ou nas emissoras de rádio. Esses agora têm muitos recursos na web que poderão favorecê-los. Devem procurar profissionais que trabalhem para melhorar sua reputação, sua imagem e seu posicionamento na internet, principalmente no Google, principal fonte de busca dos internautas.

Sabemos da importância que a internet adquiriu nesses últimos anos. Não podemos ignorar o fato. Devemos usar isso a nosso favor. Para quem gosta dessa área, vale a pena se informar mais e, quem sabe, trabalhar com isso.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Uma visão virtual das próximas eleições.

Por Bruna Franco, estudante de Relações Públicas da Universidade Federal de Goiás

Pelo andar da carruagem, as campanhas eleitorais de 2010 seguirão uma nova tendência que, apesar de não ser tão nova assim, agora que está sendo um boom de verdade aqui no Brasil. E essa tal tendência é o uso da Web 2.0 por parte de políticos.

Com a nova reforma eleitoral, os candidatos não poderão mais utilizar-se de propagandas políticas em portais de empresas ou administração direta ou indireta da União, Estados e Municípios.

E foi aprovado o uso de propaganda nos sites de relacionamento, a citar como exemplo, óbvio, Twitter, Orkut e blogs pessoais e também caiu qualquer tipo de censura à cobertura jornalística da campanha, ou seja, é totalmente livre a manifestação de pensamento, vedado o anonimato durante a campanha eleitoral, por meio de toda a rede mundial de computadores (sites jornalisticos, blogs, Orkut, Twitter, radioweb, mensagens eletrônicas,Tvweb e outros), assegurado o direito de resposta. Inclusive, agora é permitido a doação de pessoa física via internet. O doador terá que ser identificado eo limite é de 10% da renda anual. Estão seguindo o sucesso que aconteceu na campanha de Barack Obama que, como disse Alex Primo, em Políticos brasileiros sonham em ser Obama mas não passam de um Mercadante, humanizou a figura política, já que antes do uso das mídias digitais só tínhamos contato com nossos possíveis candidatos a partir de figuras estáticas, como os santinhos, ou uma imagem mecânica, pré-determinada para atingir os eleitores com a propaganda eleitoral.

Para alguns políticos, pode ser uma forma mais fácil e de menor custo para promover sua campanha, demostrando suas pretensões, intenções e os trabalhos já feitos, para que seus eleitores tenham um maior conhecimento acerca de seu candidato e o cargo ambicionado. Ainda podem fazer promoção de sua imagem e reputação perante seu público eleitor. No entanto, aqueles que participam de algum ato secreto ou, em algum lugar no passado deixaram a desejar por suas promessas não cumpridas, correm sérios riscos de sofrerem algum tipo de boicote.

O Planalto fez um blog (blog.planalto.gov.br),cuja intenção era manter os cidadãos mais próximos àquilo que ocorria em Brasília. Porém, a Esfera - projeto, ainda em fase bem inicial, de Daniela Silva (que nasceu inspirado na sua pesquisa de transparência pública no mestrado) de uma empresa com foco em comunicação, política e novas tecnologias, que deseja fomentar a ideia de que um governo aberto pode ser potencializado pela dinâmica das redes, fez um blog espelho (planalto.blog.br), utilizando a extensão blog.com, e os mesmo posts feitos pelo original eram postados nesta cópia, com a diferença que nesta, os comentários são habilitados, e cada texto publicado, possuía no início, acompanhando o buzz do blog oficial, cerca de 200 comentários, os quais são em forma de protesto, e há uma grande quantidade de artigos assinados.

Esses eleitores advindos da internet a partir de sites de relacionamento, têm outra visão acerca destes políticos e expõem sem medo suas idéias e opiniões. Propõem até mesmo uma forma nova de protesto, como foi o caso #forasarney por usuários do Twitter. E portanto, os políticos têm que estar preparados para dialogar, uma vez que os eleitores online não aceitarão respostas frias ou mal respondidas, além de expor claramente suas intenções, pois do contrário, alguém pode vir a descobrir algo de podre e espalhar para a rede toda, em questão de segundos.

Em São Paulo, algumas secretarias criaram perfis para poder receber as dúvidas, sugestões e reclamações da população, havendo uma certa aproximação entre as duas partes. Há ainda redes sociais de deputados, senadores, vereadores, Ministério da Cultura, dentre outros tantos [ leia aqui]. Porém, ainda deixa um pouco a desejar, pois muitas vezes não são atualizados ou faltam respostas, e alguns pensam que o simples fato de possuir contatos na web 2.0 quer dizer que sua eleição esteja garantida. Mas até o ano que vem, muita coisa ainda será modificada.

Estaremos preparados para receber os políticos nessas redes sociais, porém eles devem estar mais preparados para nos dar a devida importância e atenção, porque dessa vez, temos todo o poder de nos unirmos e tirá-los ou colocá-los no poder, cobrando por suas responsabilidades.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Relações Públicas na ofensiva da Petrobras.

Por Mateus Martins, estudante de Relações Públicas da UFRGS

Li na Exame 946, ná página 84, a Ofensiva da Petrobras e o que me chamou atenção, mais do que o próprio conteúdo do texto, foi o destaque atribuído às relações públicas no subtítulo: Para barrar a CPI, a empresa iniciou uma grande operação de articulação política e de relações públicas - um movimento no qual a faceta de estatal tem prevalecido sobre a de corporação global.

Reza a sabedoria popular que é possível saber como uma CPI começa, mas é impossível saber como ela vai terminar. A imprevisibilidade, somada ao fato de que as investigações podem arruinar a reputação de corporações, transforma a condição de alvo desta investigação em um dos piores pesadelos organizacionais. Ao certo sabemos que aprovada no Senado em meados de maio, a CPI da Petrobras ainda não tinha instalada até a data de veiculação da revista (1° de julho), pois depois de 3 tentativas e dois meses de negociação a CPI saiu do papel e foi instaurada em 14 de julho (mas os trabalhos só começarão em agosto, com o controle do governo, é claro, pois na CPI a presidência é do PT e relatoria é do PMDB). Menos mal para a empresa!

A Petrobras não é uma empresa qualquer, trata-se da maior companhia brasileira e uma das maiores do mundo. Nos próximos quatro anos, planeja investir 174 bilhões de dólares e a última coisa que a direção da Petrobras - e o próprio governo - desejavam neste momento é ter esses projetos atravancados por uma investigação parlamentar.

E por este motivo lançou mão de duas estratégias, que, tendo em vista o tempo em que a comissão ficou de molho no Senado, foram bastante produtivas: articulação política e relações públicas. O texto da revista divide estas duas estratégias, contudo eu não as diferencio (não querendo puxar a brasa para o nosso assado, mas já puxando), pois considero a articulação política (o lobby – bem ao estilo Spin Doctor – como nos EUA em que ser lobista é uma profissão reconhecida e a atividade em si é regulamentada por leis e não no sentido brasileiro pejorativo/depreciativo), uma ferramenta das relações públicas. Então, para nível de entendimento, distinguo as ações em dois canais, comunicação interpessoal e interação mediada por computação:

Comunicação interpessoal
Nesse aspecto, a Petrobras é uma companhia diferente, e não apenas por seu porte ou importância estratégica. Sabemos que ela não funciona como os Correios, que apanharam do começo ao fim da CPI que os investigou em 2005. É uma empresa agressiva, forte e ágil. E partiu para o ataque. E para isso, a Petrobras tem na presidência de uma de suas coligadas, a BR Distribuidora, um profundo conhecedor da dinâmica e das idiossincrasias do Senado Federal. Trata-se de José Eduardo Dutra, ex-senador pelo PT de Sergipe, que desde o início de junho, a cada terça-feira deixava a sede da empresa, no Rio de Janeiro, e viajava para Brasília, de onde só voltava na quinta-feira à noite.

Sua função era basicamente fazer lobby, articulação política, ou seja, monitorar o humor dos parlamentares em relação à Petrobras e tentar enfraquecer o movimento pró-CPI. Diariamente, Dutra municiava de informações o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Gabrielli também saiu a campo, percorrendo gabinetes de senadores, inclusive os da oposição, para falar da inconveniência da CPI para o país. Ele se valia do ótimo e pertinente argumento de que a investigação só serviria para dar popularidade a políticos e atrapalhar a execução do plano de investimentos da empresa, prejudicando o desenvolvimento do país.

Interação mediada por computação
Já foi postado aqui e muito comentado sobre o blog Fatos e Dados (agora com endereço e hospedagem nova, antes o petrobrasfatosedados.wordpress.com agora é blogspetrobras.com.br/fatosedados e com o tamplate remodelado, ver imagem).

Neste tempo todo, muitas versões foram discutidas, uns a favor, outros contra a atitude, e a revista, representando seu papel imparcial, traz também ambas as versões: Não faz sentido uma empresa que precisa ganhar espaço na mídia criar conflito desnecessário com jornalistas, disse a diretora de uma das maiores agências de comunicação do país e Foi uma grande sacada. Expôs a imprensa toda e colocou a mídia na defensiva, disse um diretor da estatal.

Importante destacar o papel das relações públicas nesta estratégia da Petrobras de gerenciamento desta delicada situação e também o destaque que um respeitado veiculo oferta às relações públicas, percebendo e destacando o termo no subtítulo da matéria. A empresa lançou mão destas duas estratégias ofensivas de comunicação, pode-se perceber, sem idealismos e juizo de valor políticos, a intenção de partir para o ataque e antever cenários futuros. E você, concorda com esta postura da Petrobras?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Lula ataca on e off.

Por Mateus Martins, estudante de Relações Públicas da UFRGS


Ao visitar, dia 26 de junho, o 10º Fórum de Software Livre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pronunciou a frase célebre: Estamos vivendo momento revolucionário da humanidade. A imprensa já não tem mais o poder que tinha alguns anos atrás. A informação já não é mais uma coisa seletiva, em que os detentores da informação podem dar golpe de Estado. A informação não é uma coisa privilegiada. O jornal da noite já está velho diante da internet.

Mas sabemos que Lula é admirado não somente pela sua capacidade de comunicação, mas também por ser um excelente estrategista, para tanto o presidente irá fortalecer a imagem de seu governo não apenas na internet, e sim nas duas plataformas: on e off. Ele utilizará dois canais para enviar suas mensagens à população, particularmente, aos brasileiros da chamada nova classe média: o Blog do Planalto e o O Presidente Responde. Duas ações, que deixaram e deixarão a equipe de comunicação à pleno vapor, com apenas uma estratégia: chegar ao brasileiro emergente da classe C que não se informa mais pela televisão, e sim, pela internet e pelos jornais populares.

OFF
No último dia 15, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República abriu inscrições para os jornais interessados em publicar a coluna O Presidente Responde, por meio da qual Lula responderá sempre às terças-feiras, às perguntas encaminhadas por leitores aos veículos de comunicação. Para ter o direito de publicar três respostas de Lula a perguntas feitas por populares, que deverão indicar nome, endereço e profissão, devem tratar de temas relacionados às políticas do governo federal, considerando que o objetivo é ser um instrumento de prestação de contas à sociedade e o jornal deve assegurar espaço fixo e se comprometer com a publicação da colunas em suas edições. Na teoria os jornais deverão recolher perguntas de seus leitores e a seleção daquelas que serão respondidas pelo presidente será na prática feita pela equipe de imprensa do Palácio do Planalto, de acordo com seu interesse.

E semana passada, em 7 de julho, foi inaugurada a primeira coluna O Presidente Responte, em 94 jornais. As perguntas da primeira edição foram sobre 1. como serão aplicados os recursos para a Copa do Mundo, tendo em vista a sangria dos Jogos Pan Americanos, 2. questões técnicas do Programa Minha Casa, Minha Vida e uma sugestão ponderada pelo presidente de cadastro pela internet 3. as dificuldades de atendimento e o mau serviço prestado pelo SUS. As respostas foram sempre políticas, mas o interessante é o conhecido vocabulário popular e a escrita sempre na 1º pessoa do plural, como se não apenas respondesse a pergunta, mas falando às massas.

ON
Muito já havia se falado, mas o lançamento oficial do Blog do Planalto ocorreu em Porto Alegre durante o 10º Fórum Internacional Software Livre (Fisl). A ideia do blog faz parte de um projeto piloto do Núcleo de Relacionamento Digital e inclui o uso de novas mídias. O objetivo é dialogar com estas ferramentas web, que permitem uma comunicação direta com um público emergente que cresce e cada vez tem mais acesso à rede no Brasil. E que – formando-se e informando-se em boa dose pela internet, no caso dos mais jovens – serão os eleitores do futuro.

Pelas primeiras impressões, apresentadas por Nelson Breve, responsável pela Estratégia de Mídia Digital do Governo, parece que por enquanto o presidente Lula não mostrará seu lado blogueiro, pelo menos na acepção mais popularmente atribuída ao termo, visto que o que mais chamou atenção foi a ausência de textos em primeira pessoa e a funcionalidades de comentários. Os textos publicados são da assessoria de imprensa do Planalto e a presença de Lula se resume a fotos em quase todos posts. Em relação a ausência de comentários, Breve citou que eles podem ser inseridos com o tempo, mas ressaltou as limitações de pessoal com que trabalha a equipe responsável pelo blog, formada por cinco profissionais, um programador, um webdesigner, um redator, um repórter multimídia e um coordenador e o trabalhão que representaria abrir o canal de comentários. Mas um blog sem comentários é um blo? Segundo Daniel Pádua, responsável técnico pelo Blog do Planalto, que exemplificou a dificuldade comparando que a presidência recebe 5 mil e-mails por dia, respondidos por uma equipe de 50 pessoas, é sim, e afirmou que mesmo com ausência de textos em primeira pessoa e comentários a página criada pelo governo segue sendo um blog.

Tenho consciência que esse piloto está abaixo das expectativas da blogosfera, mas a comunicação de governo tem as suas limitações, resumiu Nelson Breve , também secretário de imprensa da Presidência da República (se o planalto tem dificuldade, imagina a gente, pobres mortais?), que não quis liberar imagens da página piloto que foi mostrada aos participantes da palestra, mas o pessoal da Baguete registrou a imagem do tamplate com uma foto, que pode ser conferida ao lado.

E inserido no projeto piloto do Núcleo de Relacionamento Digital está nos planos também a criação de uma conta no youtube e um acordo com o Google já foi fechado, a página deve estrear até o final de julho. Outra ferramenta que é do agrado do presidente é o microblog twitter, e um perfil oficial de Lula deve ser criado, tendo em vista o sucesso de um fake do Lula lançado em fevereiro, que em poucos minutos obteve 600 seguidores.

Vamos aguardar o lançamento, pois o que ainda falta é a equipe achar o tom ideal da linguagem e se familiarizar com a mídia, para disponibilizar informações com linguagem mais descontraída e informal.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

A face da crise.

Por Mateus Martins, estudante de Relações Públicas da UFRGS


É sabido que quando Lula fala - e não há um discurso pronto - pérolas são pronunciadas. E desta vez Lula diagnosticou, antes da reunião do G20, as causas da atual crise econômico-financeira: A crise foi causada por comportamentos irracionais de gente branca, de olhos azuis, que antes pareciam saber de tudo e, agora, não demonstram saber de nada. Logicamente em referência à origem da crise: primeiro mundo ou países do norte.

A imagem fala por si (sem posições ideológicas ou políticas, apenas criatividade e senso de humor).

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Político mais popular da Terra.

Por Massimino Delazeri, estudante de Relações Públicas da UFRGS

Obama fala que Lula é o político mais popular da Terra.

Quem diria que essas reuniões do G20 seriam tão engraçadas, olha só a intimidade dos garotos.





No site da BBC tem a matéria completa.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Crises políticas.

Por Caroline Cabalheiro, João Colombo e Juliana Marchioretto, estudantes de Relações Públicas da UFRGS

terça-feira, 8 de julho de 2008

A Relações Públicas da Governadora.

Por Débora Dias e Elisiane da Silva Quevedo, estudantes de Relações Públicas da UFRGS

Uma entrevista com Ana Maria Jung, Assessora de Comunicação do Governo do Estado.

Formada em Relações Públicas e Jornalismo pela Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Rio Grande Sul (PUC-RS), Ana Maria Jung integra a equipe de comunicadores que trabalha na Secretaria de Comunicação do Palácio Piratini, sendo responsável pelo assessoramento direto à Governadora Yeda Crusius.

A Relações Públicas, que hoje ocupa um cargo em comissão, começou a trabalhar com comunicação e política em 1993 (como estagiária no próprio Palácio Piratini), já trabalhou com outros governadores, prefeitos e também na Assembléia Legislativa do Estado.

Ocappuccino: Como você começou a trabalhar com comunicação e política?


Ana Maria Jung: No governo do Alceu Colares. No Palácio Piratini tinha uma Secretária de Comunicação Social e tinha as subdivisões: Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. Eu entrei como estagiária de Relações Públicas em 1993, e fiquei até 1995, quando terminou o governo dele e começou o governo Brito. Como me formei em Relações Públicas, no final de 1995, mas continuei estudando Jornalismo, permaneci como estagiária, mas agora como estagiária de Jornalismo. No ultimo ano do governo Brito, 1998, consegui um cargo no Palácio Piratini. Quando eu saí, fui trabalhar na Assessoria de Imprensa Geral da Assembléia Legislativa, prestei assessoria a deputado e prefeito no interior, tive outras experiências.

Ocappuccino: Como é o seu trabalho dentro do Governo do Estado?

Ana Maria Jung: Aqui tem várias editorias. A Governadora tem uma assessoria própria, tem profissionais que são ligados diretamente a ela, que acompanham ela. No caso, eu me incluo nesse perfil. Eu respondo entrevistas, atendo a imprensa, acompanho a governadora - eu também trabalhei na campanha dela. É uma relação mais ligada à autoridade mesmo, mas que envolve questões de Jornalismo e Relações também, que é o relacionamento com a Imprensa, responder as questões que surgem, fazer um atendimento mesmo. E também preparar a autoridade para possíveis conflitos que possam aparecer.

Ocappuccino
: Quais as dificuldades e facilidade do seu trabalho?

Ana Maria Jung: A dificuldade é que cada momento é um momento, não é uma coisa estática, previsível. As crises ocorrem na política em todos os sentidos, então você tem que estar sempre atento. Na verdade não seria bem uma dificuldade, mas um desafio, tu estar atento a tudo, a toda mudança, a tudo que está acontecendo, a informação. Estar preparado sempre para atuar em qualquer situação.

Ocappuccino: O que tem de positivo e negativo na Assessoria de Comunicação do Governo do Estado?

Ana Maria Jung: Positivo é a estrutura, tem gente competente, que tem bastante experiência nas suas áreas. A especialização, a experiência das pessoas no que fazem, isso é muito positivo. O que poderia ser diferente para ser melhor, é que como tudo é muito grande e é muito rápida a movimentação das coisas e dos acontecimentos. Então acontece uma enchente lá no interior, acontece um vento (...). É uma estrutura grande, o governo, o estado em si, e não tem como prever certas coisas para poder atuar com mais intensidade, com mais foco. Mas acho que isso não é um defeito, uma falha da comunicação, acho que isso acontece com qualquer estrutura grande e que tem grandes responsabilidades.

Ocappuccino
: Como você percebe o trabalho dos profissionais de Relações Públicas na comunicação política?

Ana Maria Jung: Eu acho que têm poucos Relações Públicas, acho que poderia ter muito mais, a profissão de Relações Públicas na política, ela não (...). Até porque sempre existiu uma rixa com os jornalistas no sentido de garantir espaço. Falta clareza do papel dos Relações Públicas, as pessoas confundem muito essa questão do atendimento e reduzem drasticamente a atuação dos Relações Públicas a essa questão do atendimento.

Ocappuccino: O trabalho dos Relações Públicas no Governo do Estado está muito restrito a eventos?

Ana Maria Jung
: Eu acho que nem isso, eu acho que na política eles não chegam a atuar nem nisso. Em muitos lugares as pessoas não têm formação de Relações Públicas e atuam em eventos. Acho que a prefeitura talvez tenha alguns, mas no Governo do Estado, por exemplo, eu até nem gostaria de dizer isso, mas não são Relações Públicas. São pessoas que tem formação, são competentes na área de eventos, mas não são Relações Públicas.

Planejamento de Campanha e RP – Uma Parceria Essencial para o Sucesso.

Por Ana Paula Schildt, Camile Giordani, Juliana Macedo e Marina Kober, estudantes de Relações Públicas da UFRGS

No Brasil, estudos mostram que o interesse do eleitor por assuntos ligados à política está diretamente relacionado ao período eleitoral. Talvez nesta afirmação esteja o grande equívoco cometido por diversos candidatos e partidos. Imagens de políticos são construídas no período pré-eleitoral, com o intuito de moldar um personagem com as qualidades que o povo deseja. Mas quem pode afirmar, com plena convicção, que todos os votantes sofrem de amnésia eleitoral, e que acreditarão apenas na imagem passada pelo candidato na eleição atual? O tempo é fator determinante para distinguir uma campanha política de uma campanha eleitoral. Durante uma campanha política, a identidade do candidato é pensada com antecedência, com maior coerência com sua identidade e seu partido, acompanhando suas ações e sugerindo uma trajetória que favoreça sua imagem frente ao eleitor.


Maurílio Lopes Fontes, bacharel em Marketing e consultor político, entende a trajetória de construção de imagem como um planejamento estratégico. Deve ser feito
cronograma das atividades, estruturação de um grupo estratégico, definição das alianças que realmente possam somar esforços e agregar segmentos de eleitores, o momento certo para atacar os adversários, o conceito comunicacional dos programas obrigatórios no rádio e na TV - pode definir o sucesso do embate.

Quanto aos Relações Públicas no planejamento da campanha eleitoral,
Débora Negromonte, especialista em Marketing Político e Propaganda Eleitoral pela USP, verifica que, dentre as funções estão: o gerenciamento da reputação, o lobby, o gerenciamento de eventos especiais, a redação de pronunciamentos e desenvolvimento de publicações.

Além disso, os RPs também podem estar envolvidos em
treinamentos dos candidatos, pesquisas eleitorais qualitativas e quantitativas, o desenvolvimento da identidade visual e de comunicação do político, os trabalhos de assessoria de Imprensa e identificando nichos eleitorais. Estas funções fazem parte da profissão de Relações Públicas, da formação acadêmica, e por isso podem ser facilmente realizado por estes profissionais.

Princípios éticos da profissão devem ser levados em consideração na hora de planejar a campanha. A informação correta é a grande agregadora de valor ao percurso do candidato. Mas, evidentemente, o importante é que o RP possa transformar esta aferição em ações concretas, voltadas para a mobilização do eleitorado em prol do nome de seu cliente, partido ou coligação, maximizando recursos materiais, humanos e resultados numéricos.


O simples controle das informações não é o bastante para a formatação de uma imagem positiva junto aos eleitores, avaliadores do candidato e principais atores a definir os rumos da campanha.


A imagem do político é tida como o fator crucial na vitória nas urnas. Naturalmente existe um trabalho por trás desta imagem, atividades que já descrevemos, mas ainda assim é esta que aparecerá na linha de frente. Logo, as relações públicas são vitais antes e durante o período de campanha eleitoral, pois eles auxiliam na criação da imagem do candidato monitorando o público-alvo e os meios de comunicação.

A teoria na prática: a relação entre pesquisa acadêmica e o fazer política.

Por Cleide Muller, Elisa Priori, Gabriela Cerqueira e Raquel Selbach, estudantes de Relações Públicas da UFRGS

A
respeito da temática Comunicação e Política, OCappuccino investigou a interrelação entre as pesquisas acadêmicas que vêm sendo desenvolvidas em torno do assunto e sua aplicação nas práticas que envolvem a atividade de assessoria política, desenvolvida por profissionais de comunicação. Foram ouvidas as opiniões de dois pesquisadores da área, docentes da graduação e pós-graduação na FABICO/UFRGS, Dra. Maria Helena Weber e Dr. Rudimar Baldissera.


O
cappuccino: De que forma as pesquisas sobre o campo político, realizadas nas universidades, se relacionam com o cenário político atual?

M
aria Helena Weber
: As pesquisas possuem uma relação de intimidade com esse cenário. É dele que surgem algumas das mais instigantes questões de pesquisa. No campo acadêmico estão as perguntas e análises sobre os acontecimentos e repercussões dos fatos políticos. Isso pode ser desenvolvido a partir de uma linha de tempo, conceitos teóricos, estudos de caso e assim por diante.


R
udimar Baldissera:
Sem dúvida, o cenário político atual tem sido objeto de estudo acadêmico, até porque, mesmo as pesquisas que se propõem epistêmico-teóricas, necessitam de objetos empíricos para sua verificação/validação e/ou refutação. Os objetos empíricos têm assumido importância para o avanço dos estudos na área, seja como objetos de estudo para dissertações e teses de doutorado e/ou para as investigações desenvolvidas a partir de linhas de pesquisa das universidades e outros órgãos de fomento.


O
cappuccino:
Como as pesquisas acadêmicas vêm contribuindo para a atividade político-partidária, no que tange à comunicação?

M
aria Helena Weber
:
Contribuem muito, mas creio que o campo político não sabe e não aproveita isso. Nesse sentido, pode-se identificar duas perspectivas. Uma diz respeito aos pesquisadores acadêmicos, que possuem algum tipo de envolvimento com algum partido e passam a pensar estratégias e ações de comunicação. A outra pode ser identificada quando assessores de partidos buscam formação acadêmica.

R
udimar Baldissera:
Elas também podem contribuir na realização da crítica aos processos de comunicação atualizados pelos partidos políticos, no desenvolvimento/preparação de pessoas para atuarem estrategicamente nessa área e na desconstrução de estratégias, sua análise e a divulgação dos resultados que, por sua vez, podem ser apropriados pelos partidos políticos para, com isso, qualificarem seus processos.

O
cappuccino:
Os profissionais do campo político têm conhecimento sobre as pesquisas que estão sendo desenvolvidas nas universidades?

M
aria Helena Weber
:
Creio que têm. Na verdade, por mais incongruente que possa parecer, o campo da política quer soluções rápidas e visíveis ofertadas pela propaganda, marketing político-eleitoral e todos os profissionais com soluções semi-prontas. Inúmeras vezes participei desse processo, mas em poucas tive liberdade para pensar e executar estratégias sedimentadas pela experiência com a pesquisa acadêmica.

R
udimar Baldissera:
Em alguns casos, evidencia-se muito conhecimento, até porque, muitas vezes, esses mesmos pesquisadores atuam em nível de assessoria/consultoria para os sujeitos políticos (partidos, candidatos, governantes e governos), e noutras vezes parece haver total desconhecimento e/ou esses saberes produzidos pela academia são deixados de lado. Porém, o campo político apropria-se do conhecimento gerado pela academia, sim.

Ocappuccino: É possível perceber que esses profissionais da política buscam informações nas pesquisas acadêmicas realizadas, para elaborar alguma forma de planejamento de campanha/imagem?

Maria Helena Weber: Posso dizer que o planejamento de campanha e imagem baseia-se, em geral, nos resultados de pesquisas/sondagens de opinião e pesquisas qualitativas, normalmente utilizadas pelos assessores políticos, agências de propaganda e outros profissionais. Os pesquisadores de comunicação e política, assim como cientistas políticos que se envolvem com campanhas, participam com análises e sugestão de estratégias, mas a palavra final vem sempre da assessoria política. No caso das assessorias políticas, no que tange às relações públicas, percebe-se que esta ainda está muito vinculada ao cerimonial e eventos. Em geral, o jornalista ocupa as coordenações e a propaganda dá visibilidade à política. Mas pode-se dizer que, cada vez mais os profissionais de relações públicas são chamados para atuar nas comunicações estratégicas das instituições. Significa dizer que o RRPP possui um instrumental mais adequado para executar a comunicação institucional.

Rudimar Baldissera:
É possível perceber que as campanhas que têm sido desenvolvidas pelos partidos, têm apresentado cada vez mais qualidade estética, atentando para a gramática das mídias. Na mesma direção estão as questões de imagem. Os sujeitos políticos são assessorados de modo a apresentar-se e a expressar idéias que, de alguma forma e em algum nível, possam gerar a identificação para com seu público-alvo, seus eleitores. Esse conhecimento, pode-se dizer, é inferido nos/dos fazeres cotidianos, é do fazer política, porém não se reduz a esse lugar, ou seja, é da cotidianidade política, mas também é lapidado em pesquisas acadêmicas que procuram investigar em profundidade tais materializações.

Maria Helena Weber é Doutora em Comunicação e Cultura, Mestre em Sociologia e Graduada em Relações Públicas e Propaganda (FABICO/UFRGS). Atualmente é professora na FABICO e pesquisadora do CNPQ com o projeto A Comunicação Pública dos Poderes e o Poder da mídia no Brasil. Trabalhou como coordenadora de comunicação do governo do PT em Porto Alegre (1989/1991) e chefe da assessoria de comunicação do MEC (2004/2005). É autora do livro Comunicação e Espetáculos da Política (2000) e de artigos nacionais e internacionais, na área de comunicação e política.


Rudimar Baldissera é Doutor em Comunicação Social, Mestre em Ciências da Comunicação e Graduado em Relações Públicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Atualmente é professor e pesquisador na UFRGS, e, entre as disciplinas que leciona na FABICO, constam Teoria de Opinião Pública e Assessoria Política.

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