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sábado, 10 de julho de 2010

O que conta?

sábado | 10 de julho de 2010

“Nem tudo o que importa pode ser medido. Nem tudo o que pode ser medido importa. Einstein
Esta semana, a FastCompany lançou uma projeto interessante, que provocou muitas reflexões: The Influence Project, visando descobrir quem são as pessoas mais influentes do mundo online.

As métricas de influência e interações nas redes estão cada vez intrigando mais os profissionais de comunicação. Uma das palestras mais aclamadas do Social Media Brasil foi a de Marcelo Coutinho, sobre ROI em mídias sociais, que questiona algumas das maneiras que medimos esse retorno atualmente.

Para não repetir o que já foi dito na rede, recomendo dois textos bem interessantes sobre o The Influence Project (via @danielsouza): A diferença entre popularidade e influência em Mídias Sociais, no blog da Talk, e o texto do sempre preciso Brian Solis, uma das maiores referências em Social Media, The Problem With Influence.

Pra mim, o principal erro é que vendemos qualidade e mensuramos quantidade. É só observar estes famosos videocases ganhadores de prêmios mundo afora: mesmo que os projetos tenham foco em interação, conteúdo, relacionamento, os números que nos encantam ainda dizem respeito à quantidade de followers, número de views, quantidade de clicks. Existem algumas coisas que não são mensuráveis, e por vezes são as que realmente importam. E, para este sábado, a melhor maneira de refletir sobre isso é assistir esta palestra de Chip Conley: Medindo o que faz a vida valer a pena.


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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Passado: obsolecência ou tendência?

quarta-feira | 30 de junho de 2010

Você é daquelas pessoas que, quando surge uma modinha, logo se adapta ou custa a aceitar certas modificações? Esse assunto foi abordado pela ISTOÉ da semana passada.

Sabemos que surgem aparelhos com novas tecnologias quase que diariamente. Há pouco acompanhamos o lançamento do iPad que vendeu mais de 300 mil unidades nas primeiras 24h, com filas enormes de espera. Depois, o mesmo aconteceu com o iPhone 4, lançado há pouco em alguns países e vendeu, em três dias, cerca de 1,7 milhão de unidades.

Assim como existem pessoas desesperadas por lançamentos, há também aqueles que resistem a isso. Essa turma não é pequena como muitos pensam. Essa mania já está se disseminando. Eles curtem muito mais bater fotos em câmeras de filme do que nas digitais, alguns até dispensam o computador para utilizar a velha máquina de escrever. Os fãs de música preferem ouvir discos de vinil do que CDs ou DVDs e tem ainda os que gravam músicas em fitas de cassete. Bandas inclusive já estão se adaptando à realidade dos apegados ao passado e estão relançando seu repertório nas K7.

Têm outras que voltam mais ainda e estão resgatando os discos de vinil, objeto de fetiche de muitos fãs. O que também colabora com a volta do chamado LP é a crescente desilusão com o som do CD e do MP3. Dizem que o CD tem seu áudio límpido, mas excessivamente magro (e às vezes metálico). Com o vinil, a variação vai de precisa a cheia, dizem os engenheiros de masterização. E se ainda está achando que a venda de vinil é um mercado pequeno, engana-se! Só nos EUA, uma pesquisa da Nielsen Soundscan documentou um crescimento de mais de 100% em 2008, e algo em torno de 40% em 2009. Outro fator que me faz acreditar nesta tendência é que a única fábrica desse tipo de discos da América Latina, a Polysom, reabriu suas portas no começo desse ano, na Baixada Fluminense.

Temos aí mais um mercado de nicho! Mas antes de explorar, primeiro temos que entender o porquê deste movimento ao retrô. Na revista, o professor Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV levanta uma reflexão importante deste comportamento: Nasce uma ‘cultura de resistência’ que resgata mídias que ficaram obsoletas, mas que não perderam a sua poesia. Os adeptos a esse tipo de pensamento alegam que as pessoas estão perdendo a materialidade das coisas, e dão mais valor ao fato de poder tocar e pegar no objeto.

Cultura da resistência! Mas essa cultura faz parte de um modismo cíclico como é a moda que muitas vezes busca tendências no passado? Vivemos numa época em que o cult é apreciado, mas por quê? Também somos uma sociedade da cultura pirata (no sentido de cópia), então este consumo revival faz parte deste copy paste dos norte americanos ou é uma identidade nossa, própria e voltada às origens? É só mais um modismo passageiro (um capricho) de colecionadores ou é uma tendência que pode ser percebida em outra áreas (conhecem o Novo Uno)? Será que já descobrimos tudo e percebemos que éramos felizes e não sabíamos?

E as mídias sociais, com todo este dogma de relacionamento + participação, irão se tornar mídias obsoletas em quanto tempo? Porque com tudo tão efêmero, tão descartável, por quanto tempo você quer seguir, ler ou conversar com a mesma pessoa? Por quanto tempo aquela pessoa ou aquela marca é relevante pra você? Quanto tempo dura uma nova informação hoje? Não dura, ela já nasce com o prazo de validade vencido. E por fim, como devemos trabalhar e nos beneficiar disso tudo, pois certamente se abre um novo mercado, um novo consumo?

Eu não tenho estas respostas. Já nasci nesse mundo em que o tempo não se mede no relógio e sim em bits. Um mundo de obsolescência programada, de invenções a todo instante. Não tenho apego pelo passado, por tecnologias e objetos ultrapassados - às vezes até me esqueço que algum dia já existiu disquete. Sou louca por novas tecnologias e quem me dera poder ter todas elas! Será que estou ficando obsoleta? E você?

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Nicholas Christakis e a força oculta das redes sociais.

quarta-feira | 2 de junho de 2010

Pra quem não conhece, o TED é uma conferência que reúne palestrantes com idéias que merecem ser espalhadas. O vídeo abaixo é uma palestra de fevereiro de 2010, com o professor de medicina, sociologia e políticas públicas da saúde Nicholas Christakis, co-autor do livro O Poder das Conexões. De maneira brilhante, Nicholas apresenta os nós, enlaces e forças ocultas das redes sociais (online ou offline, deixo bem claro).



Conheci o texto quando estava traduzindo para a E=R e achei que era uma idéia que merecia ser disseminada, então trouxe o assunto para Ocappuccino, que nada mais é que um blog sobre RELAÇÕES. E disso Nicholas Christakis entende: começou a perceber a relação entre os comportamentos das pessoas em suas redes sociais, e como os sentimentos e emoções eram coletivos e influenciavam (positiva e negativamente) as pessoas à nossa volta – em marketing podemos chamar isso de buzz ou boca-a-boca. Por que estamos inseridos em redes sociais? Como elas funcionam? E como elas nos afetam?

Um trecho da palestra:

“Descobrimos que, se seu amigo se torna obeso, aumenta o SEU risco de obesidade (cerca de 57%) no mesmo período de tempo. E podem existir muitos mecanismos para esse efeito. Uma possibilidade é que seus amigos adotem um comportamento que se espalha para você, como "Vamos ter muffins e cerveja", que é uma combinação terrível, mas se você adotar essa combinação poderá começar a ganhar peso como eles. E outra possibilidade mais sutil é que se eles começam a ganhar peso, e isso muda suas idéias do que é um tamanho do corpo aceitável. E, aqui, o que está se espalhando de pessoa para pessoa não é um comportamento, mas sim uma norma. Uma idéia está se espalhando.
Ou seja, as nossas opiniões, concepções e idéias não são individuais, nosso comportamento é coletivo (dentro do nosso círculo social) e é por isso que existem grupos de pessoas mais felizes que outras, e é por isso que uma pessoa mau-humorada suga nossa energia, e por aí vai. As aplicações da teoria são muitas – desde os seis graus de separação até o efeito viúva (em que a viúva falece logo após perder o marido).
“Então nós começamos a prestar atenção em comportamentos como tabagismo e alcoolismo, altruísmo, comportamento de voto e divórcio – todos estes podem se espalhar. E, finalmente, nós ficamos interessados nas emoções. Quando nós sentimos emoções, nós as mostramos. Por que nós mostramos as nossas emoções? Quer dizer, não seria uma vantagem vivenciar nossos sentimentos internamente - você sabe, a raiva ou a felicidade-, mas nós não simplesmente sentimos, nós mostramos o que estamos sentindo. E não só nossos amigos podem lê-los, como podem copiá-los. Existe um contágio emocional que ocorre nas populações humanas. E então esta função das emoções sugere que, além de quaisquer outros fins, elas são um tipo de forma primitiva de comunicação. E que, de fato, se realmente queremos entender as emoções humanas, precisamos pensá-las desta forma.
Aí entra a comunicação, as relações públicas, as mídias sociais e todo o resto. Se quisermos entender a cabeça do nosso cliente/consumidor/público-alvo, temos que pensá-lo coletivamente, agindo dentro das suas redes. Qual é o click que faz com que eu queira compartilhar com o meu círculo social aquele determinado produto/vídeo/evento?
“Agora, qual é o sentido disso? Como isso nos ajuda a entender? Como isso nos ajuda a descobrir alguns dos problemas que estão nos afetando atualmente? As redes têm valor: elas são uma espécie de capital social. Novas propriedades surgem por causa da nossa inserção em redes sociais, e essas propriedades na estrutura das redes, não apenas nos indivíduos inseridos nelas. (…) O padrão de conexões entre as pessoas confere diferentes propriedades aos grupos de pessoas. É o vínculo entre as pessoas que torna o todo maior que a soma de suas partes. E isso não é apenas o que está acontecendo com essas pessoas que estão perdendo ou ganhando peso, ou tornando-se ricas ou pobres, ou tornando-se felizes ou infelizes, isso nos afeta. É também a própria arquitetura dos laços que nos rodeiam. A nossa experiência do mundo depende da própria estrutura das redes em que estamos e que residem sobre os tipos de coisas que navegam e fluem através da rede.
Vai ao encontro a este outro texto no Ocappuccino, o futuro é a rede. E o que o mundo precisa é de mais conexões. :)

PS: se alguém quiser a tradução integral, me manda um e-mail: marianarrpp@gmail.com
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