sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Relações Públicas: Teoria, Contexto e Relacionamentos. [parte 2]

Por Cibele Silva, estudante de Relações Públicas da Metodista/SP e Rodrigo Cogo, gerenciador do Mundo RP

Continuação de Relações Públicas: Teoria, Contexto e Relacionamentos. [parte 1]

Grunig explica a trajetória de suas pesquisas:

1960: iniciam pesquisas sobre o comportamento dos públicos e o desenvolvimento de uma teoria situacional.

1970: perceberam como o comportamento do Relações Públicas influenciam para a imagem da organização perante os públicos.

1980: surge a teoria simétrica.

No início dos anos 1990, Maria Aparecida Ferrari fez uma ampla pesquisa em busca da excelência na comunicação. Em uma entrevista, a professora explicou afundo sobre a pesquisa realizada por James E. Grunig.

A professora diz que James E. Grunig coordenou um grupo de seis pesquisadores que realizou um extenso trabalho, patrocinado pela Internacional Association of Business Communicators Research Foundation (Fundação de Pesquisa da Associação Internacional de Comunicadores Empresariais) – IABC Foudantion, sobre as características da excelência em departamentos de relações públicas e sobre como tais departamentos tornam suas organizações mais eficazes. Foram pesquisadas 327 organizações nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido para identificar como as organizações praticavam as relações públicas de forma excelente e quais das práticas possuem uma maior probabilidade de tornar as organizações eficazes). O universo da pesquisa era composto por corporações, agências governamentais, organizações sem fins lucrativos, e associações comerciais e de profissionais. O resultado dessa pesquisa foi à elaboração da Teoria Geral de Relações Públicas - A teoria é resultado de uma extensa análise da literatura e de pesquisa; seu início teve como premissa duas questões:

a) Qual é o valor de Relações Publicas para as organizações?

b) Se Relações Públicas tem valor, quais são as características de um departamento de RP eficaz?

Pela pesquisa foi possível usar a premissa para identificar e relacionar atributos da função de relações públicas e da organização que logicamente seriam possivelmente a razão de tornar a organização eficaz, diz a professora Maria Aparecida Ferrari.

Voltando à palestra e às explicações de James E. Grunig, entre os indicadores detectados para uma organização mais eficaz estão as relações públicas como função gerencial única que auxilia a organização a interagir com os elementos sociais, políticos e institucionais do ambiente e as relações públicas criando valor para a organização e para a sociedade através do cultivo de relacionamentos que incrementem ativos intangíveis tão relevantes quanto os ativos econômicos. Trata-se da concepção de que relacionamentos são valiosos porque reduzem custos, aumentam a rentabilidade, minimizam os riscos, protegem contra questões emergentes e crises. Tudo isto porque estão vinculados diretamente à reputação. A função gerencial de RP ultrapassa a parte técnica, enfatiza Grunig, porque pressupõe uma visão estratégica de administração e não o exercício pontual de atribuições. Os relações públicas atuam como conselheiros da ética e defensores da responsabilidade social, arremata ele. Sobre suas atividades recentes, cita o estudo da importância da construção de cenários, o estabelecimento dos efeitos do relacionamento na reputação e eficácia organizacional para determinação do ROI (return on investment) em RP e o estudo dos públicos passivo, ativo e ativista.

Grunig finaliza dizendo que o maior desafio contemporâneo da área de Relações Públicas é a necessidade de institucionalização para a gestão estratégica das organizações.

Ainda na entrevista com a professora Maria Aparecida Ferrari, ela resume a pesquisa como uma estrutura conceitual para a prática profissional de relações públicas, que, com aplicações e revisões adequadas em diferentes culturas organizacionais e nacionais, é um componente fundamental da gestão eficaz em todo o mundo. Os resultados da pesquisa que resultaram na elaboração da teoria geral de relações públicas demonstram que a profissão tem função estratégica e que essa atividade geral valor tangível para as empresas, ou seja, ajuda as empresas a venderem mais seus produtos e serviços.

Os departamentos de Relações Públicas que participam das decisões estratégicas, que atuam como analistas de cenários estão preparados para fazerem a 'diferença' nas organizações e agregar valor. Finaliza a professora Ferrari.

8 comentários:

Aline Derenzi 11 de setembro de 2009 12:27  

A segunda parte assim como a primeira ficou ótima! Quem não pode ir na palestra não precisa se preocupar, pois temos aqui nesses dois posts um resumo muito bem elaborado do que foi dito no dia e ainda com informações extras. Achei a iniciativa da Cibele de pegar mais informações com a Maria Aparecida de extrema importância, assim podemos ver como foi todo esse trabalho teórico e prático para chegar na famosa Teoria Geral de RP. Eu já tinha lido sobre isso num texto escrito por ela mesma e acho legal todos terem essa oportunidade.

Abraços,

Tatiana C. 11 de setembro de 2009 15:01  

"Os departamentos de Relações Públicas que participam das decisões estratégicas, que atuam como analistas de cenários estão preparados para fazerem a 'diferença' nas organizações e agregar valor."

Pena que nem todo mundo pensa assim...

Anônimo 11 de setembro de 2009 15:07  

Desculpa se causei uma má impressão, no post anterior da 1ª parte, comentando no anomimato, porém não acho relevante colocar nome, a opinião é o que me basta.

Ok Cibele, Rodrigo, trouxeram bons exemplos de RPs que comandam empresas, desconhecia estes casos. Porém neste post tem uma parte que fala que o RP tem função estratégica e ajuda a vender os produtos e serviços da empresa. Vocês acham mesmo que o profissional de Relações Públicas consegue atingir o nível de tal liderança, sem especializações em áreas especificas, sem tirar o foco da sua formação?

Caro Mateus, essa discussão que teve com a colega é o que geralmente acontece entre MKT e RP, o MKT fala que o RP 'floreia' demais, realmente pode até ser por não estar claras as funções, e o RP reclama que o MKT não dá espaço.

Ocappuccino 11 de setembro de 2009 19:05  

Considero importante a 'apresentação' até para que possamos te conhecer, saber se tem blog, pois tudo influência no tratamento com os públicos e toda informação faz parte de um processo de construção de personalidade e de discussão. Mas se prefere o 'anonimato', por mim tudo bem.

Não li no texto que o RP 'ajuda a vender os produtos e serviços da empresa', isso pra mim é marketing, RP constroe reputação e imagem, uma professora sempre dizia, precisamos como RP ofertar às marcas visibilidade, credibilidade e legitimidade, e penso assim também.

Muitos dizem que RP é o especialista em generalidades, realmente para possuir esta visão estratégica é preciso conhecer muito de tudo, mas a especialização acadêmica é muito importante e com certeza os líderes citados pelo Rodrigo em comentário no outro post devem possuir, pois em nenhuma profissão é possível ascender sem especialização ou profundo conhecimento da atividade. Mas nunca tirando o foco de nossa atuação, pois este é o pilar para qualquer decisão.

Em relaçao à mkt e rp é a mesma discussão de assessoria de imprensa: jornal ou rp? A discussão é interminável e não iremos discutir tudo nem com 1000 comentários aqui, cada um tem e defende sua opinião, o que afirmo é que cada atividade tem suas funções e ambas são complementares. Pois uma empresa não vive apenas de boa reputação ou de uma bela imagem, todos sabem que ela precisa vender.

Enfim, por enquanto é isso

Mateus

Rodrigo Cogo 11 de setembro de 2009 19:36  

A Caterpillar do Brasil acaba de ganhar o topo do ranking das melhores empresas para se trabalhar. O setor de Comunicação dela é chefiado pelo RP Antônio Carlos Bonassi. Talvez o que nos esteja faltando mesmo é pesquisa de um lado, pra poder-se falar com maior embasamento e não embarcar nos ditames "consagrados" do mercado, e muita auto-estima de outro. Sinceramente, eu não tenho o menor sentimento de inferioridade sobre a profissão que escolhi. Mas cada um segue os seus princípios e tormentos.

A respeito de um eventual desfoque da área de RP ao precisarmos de capacitação estratégica e técnica em gestão / administração / psicologia / sociologia / antropologia, posso até entender que são áreas pouco ou mal exploradas nos currículos de RP, mas como ciências humanas, tudo se entrecruza. Errado é quem não sabia disto, ainda que sempre seja tempo de correr atrás do conhecimento requerido. Blogs como este são um impulso exatamente para nos fazer raciocinar, conversar, mudar.

Sobre

Cibele Silva 14 de setembro de 2009 08:47  

Aline, obrigada. Que bom que gostou da entrevista.

Sobre o Anônimo, o Mateus e Rodrigo estão totalmente certos, já não tenho mais o que incluir.

Só quero deixar aqui registrado os dizeres da professora Maria Aparecida Ferrari quando ela respondeu a entrevista - "Cibele acompanho o seu blog e fico feliz que esteja também participando de um blog tão interessante quanto o cappuccino, a ligação de alunos da Metodista com os da UFRG é motivador, sei que vocês cuidarão muito bem da profissão, agradeça a todos por mim"

Bom, por enquanto é isso.

Abraços,
Cibele
(A Bordo)

Conhecimento e Informação 15 de setembro de 2009 19:20  

Perfeito o post...pode ter certeza que vou usar muitos destes comentários em citações bibliográficas nos meus projetos de RP que estão em andamento.. rsrsrs

Parabéns

Abs
Sueli

Ocappuccino 15 de setembro de 2009 22:31  

Que bom Sueli, se este debate serviu para isso, já considero válido.

E Belle, o interesse da professora MAF é o que nos motivo a continuar trabalhando (blogando) cada dia.

Abraços, mateus

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