segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Meninos do Twitter: vale a pena defendê-los?

segunda-feira | 09 de agosto de 2010

A grande maioria das pessoas já ficou sabendo da polêmica envolvendo os jogadores de futebol do Santos e alguns torcedores usuários do microblog Twitter durante uma sessão de uso da Twitcam, na noite de 1º de agosto, após a vitória do time sobre o Grêmio Prudente pelo Campeonato Brasileiro.

Neste diálogo, vários reservas do time, como o goleiro Felipe, o atacante Madson e os meias Zezinho e Zé Eduardo, causaram confusão respondendo de forma áspera e infeliz a vários comentários de seguidores e até mesmo ao colega de time Robinho, poupado e presente em Santos para a final da Copa do Brasil, que, corretamente, pedia a interrupção da gravação do chat, prevendo a repercussão negativa daquelas declarações.

Repercussão que não demorou muito a aparecer. Os vídeos da conversa foram assistidos por milhares de pessoas no Youtube, com vários comentários desfavoráveis às atitudes dos jogadores. Os grandes portais esportivos do Brasil deram destaque ao fato e vários cronistas futebolísticos reprovaram a atitude dos Meninos da Vila em seus blogs e perfis no Twitter, como os jornalistas Fernando Vanucci e Datena e o craque Neto. Até quem não é cronista deu o seu pitaco, como o apresentador do CQC (Band) Marcelo Tas, muito atuante nas mídias sociais.

Porém, teve um jornalista, no Globo Esporte da terça-feira (dia 3), que defendeu os jogadores do Santos, dizendo que as declarações eram brincadeiras e explicitando a tese da vinda dos trolls, pessoas que poluem os grupos de discussão com ataques pessoais, mensagens sem conteúdo e opiniões (quase sempre negativas) que pouco acrescentam ao tema discutido, para atrapalhar a conversa corrente. Por sinal, um profissional conhecido pelo uso corrente do Twitter e por sua atuação durante a Central da Copa, programa global existente durante a Copa do Mundo: Tiago Leifert. A defesa do apresentador da edição paulista do Globo Esporte pode ser vista neste vídeo.

Numa parte desta reportagem de cinco minutos, Tiago defende o goleiro Felipe que, ao ser chamado de mão de alface por um internauta, solta esta infeliz declaração: Aí fera, o que eu gasto com o meu cachorro de ração é o teu salário por mês. Na reportagem, o jornalista diz: Ninguém parece muito preocupado, mas o Felipe tava sendo provocado e reagiu. O que que tem de errado nisso? Por que que a gente pode xingar, falar o que quiser e ele não pode reagir? O certo era ter ignorado, tudo bem, mas foi ação e reação: Felipe se sentiu ofendido, ofendeu de volta. E se explicou ontem no aeroporto.

E desde quando uma pessoa pública ofender de volta, e com palavras muito mesquinhas, a pessoa que a criticou é correto? Pode-se ter, como exemplo, a jornalista Sonia Abrão (RedeTV!) que, ao ser perguntada sobre o conteúdo de seu programa, respondeu grosseiramente ao perfil e foi imediatamente criticada por perfis influentes do Twitter.

Em outra parte do vídeo, para defender o meia Zé Eduardo que, ao ser interpelado por Robinho sobre a confusão que o vídeo iria causar pelo nervosismo dos jogadores, disse mais uma frase polêmica: Pedalada (apelido de Robinho), segura, sabe porque, segura, depois do seu último jogo aqui no Santos ninguém vai sentir a sua falta, ninguém vai sentir a sua falta aqui no Santos, Tiago utilizou a seguinte frase: Aí disseram que o Zé tava brigando com o Robinho. Primeiro, se a gente não sabe o que o Robinho tava dizendo do outro lado da linha, como é que alguém pode cravar que o Zé Eduardo tava falando sério? Segundo, de tudo o que vocês viram do Zé Eduardo até hoje, quantas vezes o Zé falou sério sobre alguma coisa?

Será que isso é justificativa para uma declaração tão direta do meia? Um exemplo ocorreu em outro caso famoso do Twitter com o apresentador esportivo Fernando Vanucci, da RedeTV!, que declarou seu afastamento do programa Bola na Rede por razões pessoais, disparando: Muita trairagem, vocês devem saber de quem e Quero estar junto de pessoas inteligentes, ao responder um seguidor. Os desabafos são importantes na vida de uma pessoa, mas devem ser feitos em particular (como, antigamente, os diários pessoais – vulgo agendinhas – eram predominantes).

No fim da reportagem, Leifert declara que o que ficou do acontecido foi NADA. Isto mesmo, NADA. Tanto ficou NADA que a diretoria do Santos deu uma grande bronca didática e uma puxada de orelhas , segundo o coordenador de comunicação do Santos. Além disso, houve mais uma sessão da Twitcam no perfil oficial do clube no microblog para que os jogadores pudessem se explicar.

Ah, a diretoria, por meio do diretor de futebol - Pedro Nunes Conceição - também declarou que iria lançar uma cartilha:

Já estamos criando regras para a utilização da internet no sentido de discipliná-la. Afinal, é a imagem do clube em jogo. Vamos discutir isso com o elenco em breve. O uso da internet não será proibido nas concentrações, mas vamos limitar quando estiverem em atividades ligadas ao nome do clube, seja treinando, descansando ou concentrados.
Com os fatos apresentados, pode-se ver que a parcialidade do apresentador do programa foi posta em rede estadual (e depois, pela Internet, em rede mundial) e vários comentários surgiram, criticando a forma com que o assunto foi tratado por Tiago e pela Rede Globo, até mesmo na própria comunidade do Orkut dedicada a ele.

O que faltou aos jogadores do Santos, e também ao jornalista global, foi equilíbrio e consciência do que fala e faz na televisão e na Internet. Como o próprio Datena disse em seu Twitter, eles têm que ter a noção de que quando você fala algo na Internet, é como se estivesse dando uma coletiva!. Ou seja, tudo o que se fala na Internet pode ser acessado no mundo inteiro. E aí fica a importância do profissional de Relações Públicas para poder gerenciar as informações dadas pelas empresas, celebridades e pela própria imprensa e, quando se precisa, resolver as crises provenientes dos deslizes destes segmentos.

Aiai. É a Geração Y entrando em campo. A pergunta que fica é: o que fazer com esses meninos nas empresas e agora também nos gramados? Uma cartilha resolve o problema da Geração Y?
_ _ _

6 comentários:

Maíra 9 de agosto de 2010 12:46  

Meninos e meninas do Ocappuccino, agradeço, mais uma vez, a confiança e a abertura dada para que, além de mim, vários graduandos de RP possam expressar suas opiniões e ideias acerca dos assuntos correntes! Isto só engrandece a nossa profissão!

Parabéns, mais uma vez! =)

Carol Terra 9 de agosto de 2010 16:37  

Oi, gente, não sei se uma cartilha resolve, mas ajuda! Falta preparo desses jogadores para falar com a imprensa, relacionar-se com fãs e torcedores e sobretudo para se expor na internet. Vale é um Media/Social Media Training completo para eles. Abraços, Carol Terra (http://rpalavreando.blogspot.com)

Ricardo Somera 9 de agosto de 2010 16:40  

As regras de "olhar para os dois lados antes de straves a rua" deve ser usada na web sim. Tem que ter cartilha nas empresas, em casa, na escola, etc. As pessoas estão pensando que estão batendo papo na sala de casa ou brigando na festinha de aniversário do prédio, mas na real é uma super "briga coletiva".
Ninguém tá errado, cada um fala o que quer, mas no caso do Santos é muito dinheiro que pode ir para o ralo.

Juliana Menezes 9 de agosto de 2010 17:02  

Falta orientação aos jogadores. Definitivamente precisa de um profissional de Relações Públicas para orientar e explicar a importância de um bom relacionamento com o público.

Acho que uma cartilha ajuda sim. A Rede Globo produziu uma cartilha aos funcionários de como se expressar na internet e mídias sociais neste período das eleições 2010. É um bom exemplo a seguir.

uniRP 9 de agosto de 2010 17:48  

Se uma cartilha ajudaria ou não, isso não há como saber definitivamente. Mas que, no mínimo, deveria haver um preparo e uma orientação (Media Training completo, como disse Carol Terra) para que os jogadores, todos, saibam a importância da torcida e a importância de lidar, relacionar-se com ela! Afinal, os jogadores são como o público interno, e a torcida o público externo, um dos stakeholders de suma importância em um time/clube de futebol.

Espero que com esse episódio, os clubes comecem a perceber e a preparar melhor seus jogadores, pq não é de agora que vemos esse tipo de acontecimento, que acaba por denegrir a imagem do time de uma forma que não merecem!

Ótimo post! Parabéns!

Abraço,
Juliana - uniRP

Poliana Lima 19 de agosto de 2010 19:09  

Realmente uma cartilha ajudaria esses meninos a se comportarem melhor. Pois eles precisam entender que o nme deles está ligada a uma empresa e que eles devem ter um bom relacionamento com seu público.

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