segunda-feira, 1 de março de 2010

A Função Social da Propaganda.

Por Amanda Barrin, estudante de Publicidade e Propaganda da PUCRS

Muito se fala da função social do Jornalismo e das Relações Públicas, mas quase nunca é mencionada a Publicidade nesse meio. Alguns até quando questionados sobre o assunto dizem que ela não tem essa função, é o caso do jornalista gaúcho Juremir Machado, que ganhou meu ódio mortal, quando disse á um grupo de estudantes de comunicação social da Famecos, que a propaganda não contribuía em nada para o assunto. Estou aqui para discordar veementemente dessa afirmação, como o fiz ao vivo, mas com argumentos mais sólidos e demonstrar que mesmo que não percebamos a propaganda tem um conscientizador forte, pois mexe com emocional do público, pois mexe com emocional do público.

Por muitas vezes nos deixamos levar pela estereótipo do publicitário: um cara muito criativo, que faz campanhas do nada, come pizza enquanto trabalha e põe os pés em cima da mesa. Errado. Tudo o que fazemos deriva de muita pesquisa, feeling, estresse e desgaste físico/mental. Não somos o monstro capitalista que todos pregam, movimentamos o dinheiro como qualquer outro setor do mercado da comunicação, é um ciclo, nos completamos. Por muitas vezes agências são procuradas por instituições que não tem a mínima condição de pagar pelos serviços, mas que tem importante papel na sociedade. Sensibilizadas, começam um mutirão, entre agências, produtoras, gráficas e até mesmo mídias para que se gaste o mínimo possível na veiculação de campanha. Essas instituições têm forte apelo social, e a propaganda vem como forma de arrebanhar pessoas que adotem a causa. Propagandas que arrepiam, que emocionam e que vendem, ideias.

Como acredito que imagens falam mais que palavras, duas campanhas que tiveram forte impacto foram escolhidas para ilustrar o que digo.

Santa Casa de Misericórdia de São Paulo | Doe Orgãos



Essa campanha da Y&R foi feita para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e particularmente me emocionou muito (até por ter uma cadela da mesma raça da utilizada do vídeo). Graças a ela, a doação de órgãos, segundo o hospital, bateu recorde em 3 meses. O aumento chegou a 30%, em 7 meses já haviam alcançado o resultado do ano anterior.

Greenpeace | Mudanças



A publicidade tem o dom da transformação, de abrir os olhos das pessoas e quando é bem explorada faz algo simples se tornar grandioso, como essa campanha do Greenpeace que mexeu com os sentimentos da geração X. Eles que diziam que queriam mudar o mundo mudar o mundo, paz, amor... Onde foi parar tudo isso?! No fundo essa propaganda nos diz: Cadê o espírito revolucionário de vocês? Já repararam que estão fazendo exatamente o contrário do que vocês diziam que queriam?

Não tem muito que se dizer, basta ver esses dois comerciais, apenas esses dois de milhares outros que existem com o mesmo papel, para nos convencer que a publicidade é sim fator de transformação na sociedade, que nos abre os olhos de forma sadia. Aqui fica minha crítica a quem, como o jornalista citado no início desse texto, não se deu conta que a comunicação é feita por pessoas, pessoas essas que tem seu ideais e que usam toda as ferramentas que tem a mão para divulgá-los, seja com projetos, com denúncias ou com lembretes, de que alguma forma, somos todos um. E nem precisa de muito para se provar, basta comparar índices, como esse da Santa casa.

E se não estivesse dando certo, porque vemos milhares de propagandas institucionais de ONGs, e instituições sem fins lucrativos no ar todos os dias. Como diz o poeta: cada um no seu quadrado. Todos temos importância na construção do social, afinal, como o nome já diz, somos comunicadores sociais e não comunicadores capitalistas. Geramos a informação que se consome, seja em forma de propaganda ou em forma de texto e desde que o façamos de maneira certa, conseguimos atingir o fim que desejamos.

5 comentários:

Fabio Procópio 2 de março de 2010 12:37  

Ótima reflexão/desabafo. E acredito sim que todas as profissões tem o seu papel social e de contribuição para com a sociedade. A propaganda é alvo de muito preconceito e, por muitas vezes, vindas de pessoas que não a conhecem...

Abraço

Fabio Procópio

Fernanda Gonçalves 2 de março de 2010 12:49  
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernanda Gonçalves 2 de março de 2010 12:49  
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernanda Gonçalves 2 de março de 2010 12:52  

Olá Amanda.
Você utilizou ótimos argumentos! São profissionais como você que possuem o talento transformador, e que fazem toda a diferença no mundo em que vivemos.
Esta mobilização social, cada dia mais necessária, somente é possível pela existência de pessoas como nós.
Vamos à luta!

Criaty 4 de março de 2010 17:06  

Isso tem a ver com a rivalidade besta que existe entre os cursos, os três se completam, em tempos de comunicação integrada, já deviamos ter parado ouvir esses disparates! :)

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