segunda-feira, 8 de março de 2010

A persuasão como habilidade para Relações Públicas.

Por Fernanda Fabian, estudante de Relações Públicas da Unisinos

"Eu sempre fiz assim,
não é agora que eu vou mudar.
Faz muitos anos que é assim,
sempre deu certo, pra que mudar?
As coisas são assim, acostumei a ser assim.
O mundo sempre foi assim,
e assim vai ser, até o fim.
Não gosto de estudar,
me dá preguiça reorganizar.
E agora vem você falar
num outro jeito de trabalhar!...
(Bossa da Inércia, da peça-treinamento Acertar é Humano de Alberto Centurião)
Esse poderia ser um discurso pronto de vários empresários diante de uma proposta de mudanças na comunicação de sua empresa, feita por um Relações Públicas.

Pense em uma situação como esta: um comércio de médio porte, localizado no centro de uma capital, 50 anos de atuação, o fundador continua no comando, seu filho vai ser o sucessor, as únicas pessoas que fazem compras por lá são as mesmas há uns 20 anos, não existem consumidores novos. A renda da empresa é a mesma ao longo dos anos, nada a mais, nada a menos, é suficiente apenas para pagar os funcionários e as contas. Eis que o filho resolve propor uma reestruturação de imagem, uma nova utilização de linguagem, um novo dinamismo, uma nova conduta de comunicação. Chama um amigo seu, um Relações Públicas, para explicar ao seu pai porque é necessária essa mudança. Adivinha a primeira resposta dele? Eu sempre fiz assim, não é agora que eu vou mudar...

Você é esse amigo Relações Públicas da história. O primeiro desafio é justamente convencer o dono que ele precisa mudar o ponto de vista, que ele pode criar uma nova forma de se comunicar com os clientes, e que isso pode trazer novos clientes para ele. Uma tarefa nada fácil, já que no pensamento dele é muito mais simples continuar na mesmice do que fazer tanta movimentação que pode dar em nada.

Um RP precisa saber lidar com as mais diferentes situações, precisa ter habilidades múltiplas e, necessariamente, tem que estar muito bem informado sobre assuntos diversos. Segundo o dicionário online Priberam, persuadir significa obrigar alguém a acreditar ou a executar alguma coisa, ou convencer, induzir, acreditar, convencer. A arte da persuasão entra justamente nesta situação, uma das habilidades que caracterizam este profissional.

Mais do que convencer aquele proprietário da importância de uma reestrutura de comunicação, a persuasão vai estar presente até no momento da execução do projeto. A convencer os públicos internos sobre os benefícios da mudança, e os demais de que é possível apostar naquela organização. E isto não é algo que se consegue durante uma ou duas semanas, ou apenas com alguns relatos e exemplos, é um trabalho árduo e complexo.

Para Aristóteles, existem três caminhos para a persuasão (capítulo II do livro Arte Retórica): devemos apelar para a vontade das pessoas, depois para a sensibilidade e, por último, para a sua inteligência. Ou seja, para você, de fato, estar sendo persuasivo deve envolver o emocional e o racional das pessoas. Mas não se engane: essa técnica não pode parecer ser agressiva, invasiva para quem ouve. A prática dela só vai acontecer quando existe confiança entre os envolvidos.

A persuasão pode ser vista como uma forma de integrar os públicos, e convencê-los do nosso ponto de vista, como uma negociação. Mas partindo, sempre, de um bom planejamento e de práticas simples e aliadas, como a própria gentileza. Deixo como sugestão o vídeo Pratique seu poder de persuasão que contém diversas dicas interessantes, como palavras que devem ser evitadas no momento que você está querendo convencer alguém de alguma coisa:



Obs.: Fica meu abraço para os aniversariantes de hoje, o Mano e o Max. Eles, junto com o Mateus, iniciaram o projeto deste blog e merecem o nosso carinho!

2 comentários:

Fabiana Moreira 8 de março de 2010 12:57  

Não é fácil mesmo. O ser humano tem uma resistência incrível para sair da zona de conforto, mas com as habilidades de um profissional de relações públicas é possível sim.

Fabio Procópio 9 de março de 2010 15:20  

Ótimo texto! Creio que maior que o poder de persuasão, deve-se trabalhar a capacidade crítica do profissional, e a capacidade de análise de cenários; para que seus argumentos sejam reamente verdadeiros e possíveis para uma certa mudança. Não gosto muito do fato da imagem que ainda existe em cima do RP, de que é um profissional que muitas vezes mente para vender seu peixe, de que é um sacana e etc... Devemos ter cuidado com isso.. e comunicar e aplicar a verdade!

Abraços

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