quarta-feira, 16 de junho de 2010

Opinião Pública e a Propaganda.

quarta-feira | 16 de junho de 2010

Um assunto que está me chamando muito a atenção nos últimos meses é Opinião Pública. Estou estudando a opinião pública em diversos segmentos, mas o que mais me chamou a atenção é como ela é tratada no âmbito das propagandas.

Os propagandistas, em nosso sistema democrático, são responsáveis pela liderança da opinião pública. Em uma democracia, a liderança de opinião é descentralizada e o próprio indivíduo é levado a escolher. Portanto, é necessário estabelecer os melhores padrões de concorrência propagandista e assumir a responsabilidade do que fazemos.

Antes de tratar de propagandas, vamos entender o que é opinião pública. Segundo Cândido Teobaldo, é uma área de entendimento comum das pessoas que constituem o público, após ampla discussão da controvérsia levantada à base de considerações racionais.

O
utra definição é de John Dewey, que em sua obra The Public and its Problems diz:

... opinião pública é o julgamento formado e levado em consideração por aqueles que constituem o público e diz respeito a negócios públicos.
O vídeo abaixo demonstra o segmento da opinião pública na propaganda.

O que mais me chama atenção no vídeo são os comerciais. Um deles mostra a propaganda de uma cerveja: diversão e animação. Outro mostra as conseqüências negativas que a cerveja pode trazer para o consumidor. Este último foi desenvolvido pelo Ministério da Saúde.

Hoje não existe mais o comercial do Ministério da Saúde. Qual seria o motivo?

O professor de sociologia Oswaldo Oliveira Santos Junior, da Universidade Metodista de São Paulo (em uma pequena entrevista que fiz com ele ) diz que os interesses capitalistas acabam sobrepondo os interesses da coletividade; que o poder econômico tem a capacidade de controlar o próprio Estado, o que faz com que a vontade particular ou as vontades de grupos privados se estabeleçam de forma hegemônica sobre os interesses do conjunto da sociedade. Desta forma, no contexto neoliberal, o Estado se vê controlado e sequestrado pelos interesses do grande capital, inclusive legislando em prol da causa desses interesses privados.
O professor termina parafraseando Marx: aquele que detém o poder material detém também o poder das ideias.

Não importa quem está na liderança, se é o poder público ou privado, o propagandista é frequentemente criticado por campanhas que promove, ficando mal visto pelos métodos utilizados para conseguir o apoio do público. Os estudiosos da propaganda não têm poupado esforços na busca de provas de informações deliberadamente corrompidas, de adulterações, bem como de outras provas de ideologias dirigidas ao público. Não há dúvida que existem práticas desse tipo. A mentira pública, porém, da mesma forma como a mentira privada, não é característica particular dos tempos modernos.

Já demonstrava o filme Crazy People - Muito Loucos, produzido em 1990. A comédia retrata a história de um publicitário - Emory Leeson - que repentinamente tem uma crise de honestidade e cria uma campanha publicitária que é calcada em dizer só a verdade sobre cada produto.

Será que o poder público ou privado deveriam ter publicitários iguais a Emory Leeson?

Se eliminarmos de nossas considerações o que podemos chamar mentira inconsciente, isto é, a sincera promoção de ideais e causas que, posteriormente verificamos não o merecerem, descobriremos, provavelmente, que a quantidade total de falsificação deliberada é maior do que supomos.
_ _ _

10 comentários:

Diego Galofero 16 de junho de 2010 18:08  

Opinião Pública... Uma questão controversa. Aliás para existir a OP tem existir controvérsia.

O que acontece Cibele é que OP virou sinônimo de manipulação, e a propaganda, TV e o capitalismo sabem utilizar muito bem as suas ferramentas para exercer tal pressão.

parabéns pelo texto, vc merecer

prochno 16 de junho de 2010 18:29  

Cibele,

Não podemos esquecer que o Poder Público tem autonomia e poder, claro, para regular campanhas, assim como aconteceu com cigarro e para onde as bebidas caminham. Com isto dificulta a manipulação da OP em apenas uma direção, gerando equilíbrio.

Claro que o ideal seria a própria propaganda "se regular" mas isto, só "in wonderlands"!

Parabéns!

Fabio Procópio 16 de junho de 2010 20:48  

É legal lembrar também, que mesmo que seja uma iniciativa privada e um órgão particular - existe o CONAR que regula e tem seu código de ética e conduta para delimitar o que deve e o que não deve ser feito em se tratando de propagandas. Acredito que radicalizar demais, como no filme não é a saída, acho interessante aproveitar essa onda que surge de indagações sobre a opinião pública e o papel da propaganda nisso e estudarmos como podemos intervir neste processo para que ele seja o mais transparente e limpo possível - é agir e pensar através do futuro que emerge (Teoria do U, rsrs).

Abraço

Fabio Procópio

Cibele Silva 16 de junho de 2010 21:09  

Obrigada pelos comentários Meninos.

Diego, então você está dizendo que todo OP é manipulação?

Cândido Teobaldo diz que:
“Não existe opinião pública onde não haja um acordo substancial. Mas, não existe opinião pública onde não haja desacordo. Opinião pública pressupõe discussão pública”

Concordo com o professor, a Opinião Pública tem que ter a discussão, não para o desacordo, mas tb não para é necessário ser pacífico.

Pedrão, que honra vc comentar em uma texto meu), mas querido veterano hoje está com vontade de discutir comigo, não? hehehe

Mas enfim, desta vez (rs), concordo com você, aconteceu com o cigarro é o poder público tem autonomia, se quiser. Mas vamos parar e pensar, temos diversas marcas de cigarros, porém somente duas empresas em grande foco no Brasil, uma delas é a maior triputária do país. Fácil, tendo ou não a propaganda isso não muda.
Agora a parte de cervejaria, é diferente, a AMBEV tem a maior parte do mercado, porém muitas concorrentes, e qdo o poder público quis vetar o comercial, o que aconteceu?
A manifestação das empresas foi maior que a poder público? Pq eles mudaram de ideia?

Uma coisa a se pensar, não?

O seu post da teoria do U pode realmente explicar muito bem isso Fabião, muito bem lembrado. rs
"processo para que ele seja o mais transparente e limpo possível" 'relaçõespublicamente falando?' - nós temos uma visão.

E lembrando que estou falando de opinião pública.

bjos,
Belle

prochno 16 de junho de 2010 23:53  

Belle,

a questão é, o Poder Público exerce pressão em segmentos e não empresas! Ele não pode legislar para uma e não legislar para a outra (ou regular). Por isto, neste caso (sim, discordando de vc :-D) independe o share de mercado de cada companhia, todas serão afetadas igualmente.
A PENALIDADE imposta, por exemplo, à Devassa é por esta "descumprir" algo que já existe, por isto foi penalizada.

:-D

Criaty 17 de junho de 2010 02:13  

Belle! Mais um ótimo texto (graaaaande novidade)... Beijo!

Cibele Silva 17 de junho de 2010 10:17  

Eis a questão Pedro, ele não pode legislar, mas pode (e se deixa ser) manipulado pelo poder público.

Bom exemplo da Devassa - vc teve aula com o professor Oswaldo - se teve sabe que o visão dele é bem apurada para estas coisas.
Conversmaos sobre o caso da Devassa. Foi uma "denuncia", supostamente da concorrência, não tinham como não acatar e punir o lado mais fraco da corta (realmente essa discussão vai longe). O problema foi, que o buzz causado pela punição causou um impacto positivo para a Devassa.
Volto ao mesmo ponto - MANIPULAÇÃO.
Pelo menos é a minha visão.

Que bom que gostou Amanda. Obrigada.

Abraços,
Belle

Mauro Segura 18 de junho de 2010 19:11  

Será que em vez de "A opinião pública e a propaganda" o título deste post não deveria ser "A opinião pública é a Propaganda" ??? Abraços. Mauro Segura.

Cibele Silva 20 de junho de 2010 12:48  

Boa sacada Mauro, mas não é esse o meu foco no post.

Falo sobre o que a OP pode influenciar na Propaganda, falo do poder público e privado, como discuti com o Pedro nos comentários acima. E até como discursa meu professor em uma das partes do post.
Diante do que eu relatei, nem toda OP é Propaganda...
Como estava discutindo com o Newton - @opolivalente, um amigo meu - a propaganda nem sempre influencia a opinião pública, pelo contrário, em muitos casos, como vemos, é preciso a opinião pública se manifestar contra abusos da propaganda.

Agradeço o comentário Mauro, grande honra para um comentário seu no meu post.

Abraços,
@belle_rp

atila VELO 10 de março de 2011 21:02  

Cibele, parabéns pelo estudo, mas não concordo com uma palavra do que você escreveu.

Você começou afirmando que "propagandistas ditam a opinião pública". Para mim, uma afirmação preconceituosa e superequivocada. O jornalismo e entretenimento dos grandes conglomerados de mídia são os maiores influenciadores da opinião pública. E propagandista é um termo pejorativo no meio, viu? O que influencia mais uma pessoa: a atriz global comendo a margarina X ou a propaganda desta mesma margarina, no intervalo da novela? O Datena falando que ateus cometem crimes hediondos porque não acreditam em Deus ou os anúncios desses ateus, nos ônibus, pedindo respeito?

Você fala em “estabelecer padrões propagandistas e assumir a responsabilidade”. Quem? O CONAR? O Estado? A sociedade civil? Os profissionais de propaganda? Definir regras e dar nomes aos bois é uma postura mais autoritária do que libertária, ou seja, você pulou de defender a democracia para defender o estreitamento das liberdades. Também não existe isso que você chama de "segmento da opinião pública na propaganda". Propaganda é privada, não há como ter um segmento de opinião pública. As pessoas formam opinião SOBRE a propaganda e COM BASE na propaganda, só isso.

Aí você pergunta: por que não existe mais o comercial antiálcool do MS? Porque realocaram a verba, só por isso. Porque preferiram pagar fiscais da fumaça de cigarro ou financiar viagens de seus parentes.

Então você vai na contramão do desenvolvimento econômico e mergulha em Marx, citando um professor: "os interesses capitalistas acabam sobrepondo os interesses da coletividade". Quantas vezes a opinião pública tem se sobreposto? Temos o CDC, o PROCON e o CONAR superativos no País. Quantas vezes nos deparamos com casos em que a internet tem ajudado justamente a vencer interesses corporativos em defesa do consumidor? E o Reclame Aqui? Os únicos que realmente colocam seus interesses à frente de tudo, sem consequências, são políticos corruptos.

Esse discurso Marxista está ultrapassado e é incoerente com um blog de Comunicação corporativa, que supostamente publica artigos pautados com base na liberdade moral e econômica, no incentivo ao empreendedorismo e ao livre mercado. Frases universitárias de impacto como "o poder econômico tem a capacidade de controlar o próprio Estado" e "no contexto neoliberal, o Estado se vê controlado e sequestrado pelos interesses do grande capital"... Poupe-nos, querida! Tire a camiseta do Che Guevara e para de ler as newsletters das FARC.

Você continua falando que profissionais da propaganda buscam informações corrompidas e adulteradas. Que diabos você está falando? Uma contraposição de conceitos morais com bom humor, na campanha da cerveja Devassa, só soará como uma informação “corrompida e adulterada” para quem não consiga distinguir sarcasmo de sinceridade. A propaganda é como nós mesmos: a gente se apresenta falando de nossas qualidades. Ou, por acaso, você se apresenta assim: “Oi, meu nome é Cibele e tenho chulé”? Você assistiu Crazy People na faculdade e isso te induziu à reflexão. Agora tente aplicar o conceito do filme na sua vida para ver no que dá. A lição do filme, para nós – profissionais de marketing web – é de que a sinceridade e transparência são muito importantes. Mas o resto do filme é, como você descreveu, pura comédia.

Pra finalizar, seu último parágrafo ficou incompreensível. Sei que você quis escrever bonito, fechar com uma ideia consistente e tal, mas sinceramente, faltou coesão. Suponho que a mensagem no meio desse parágrafo rebuscado seja algo como “a propaganda fala muita mentira e a gente não percebe”, certo? Fica minha última pergunta: você realmente escreveu este artigo para um blog sobre marketing?

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