quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

As Relações Públicas na esfera governamental.

Por Bruna Franco, estudante de Relações Públicas da UFG

No 4º período de RP aqui da UFG, nós temos a matéria de Planejamento de Relações Públicas e para término e avaliação dos resultados alcançados ao longo do semestre, precisamos, claro, fazer um planejamento de RP para alguma organização. Dentre seis grupos, quatro escolheram empresas privadas, um o terceiro setor e outro grupo, o meu grupo, trabalhar com um órgão público.

Não que seja mais fácil fazer um plano de comunicação para empresas privadas, porém há uma maior disponibilidade de informações e bibliografia sobre elas, como Comunicação Empresarial de A a Z, de Francisco Viana. Também encontramos muitos cases em sites especializados de RP, como o Portal RP, e na maioria de seus arquivos, são de empresas privadas. Em muitos cursos de Relações Públicas espalhados pelo país, o foco é basicamente a empresa privada e, portanto, há essa certa dificuldade em trabalhar com instituições governamentais ou não-governamentais. Isso é o que percebi em sala de aula, em conversas com alunos de outras universidades e até na leitura de alguns TCC. Será que este enfoque está sendo abordado no processo de mudança de ensino do curso proposto pelo MEC?

Mas aplicar um roteiro de planejamento a um órgão público é um pouco mais complicado, já que alguns requisitos utilizados na empresa privada não cabem à esfera pública. Até mesmo por conta de questões históricas, as Relações Públicas só foram difundidas no ambiente público na época da ditadura, com a criação da Assessoria Especial de Relações Públicas (AERP), que cumpria a função informativa e a comunicação deixada pelos meios que foram censurados. Portanto, algo consideravelmente recente.

E claro, o desinteresse percebido em algumas repartições públicas, tanto para prestar assistência a quem deseja informações sobre o órgão, quanto ter a iniciativa de saber como funcionam os outros departamentos: a história deste órgão, por que ele existe... A instituição estudada, pelo meu grupo nessa disciplina de Planejamento de Relações Públicas, constitui uma esfera governamental, para ser mais clara, uma secretaria de Estado, cujas funções se baseiam na educação e fomento à pesquisa, trabalhando com públicos diferentes. Nâo é muito difícil adivinhar, mas por questões éticas não posso revelar o nome.

A primeira dificuldade por mim observada: os funcionários me disseram que não havia um histórico, nem sabiam quando o órgão fora criado. Mas pesquisando na internet, descobri que havia um breve histórico da organização, coisa que ninguém lá dentro sabia, nem mesmo o pessoal da Comunicação. Segunda: alguns projetos e meios utilizados para organizar um departamento de comunicação e/ou divulgação da instituição são inviáveis na esfera pública, ou por falta de verba para investir nisso, ou por se tratar de questões não previstas em lei, constituindo então, ação ilegal.

Embora não tenha muitas teorias sobre a construção em órgãos públicos, podemos acompanhar alguns casos de sucesso de profissionais que contribuem, no exercício da comunicação, para o desenvolvimento de órgãos eficientes. Um exemplo é o caso postado pelo Mauro Segura em seu blog A Quinta Onda » Um exemplo de uso do twitter na Administração Pública, que conta que a Secretária da Educação do Rio de Janeiro, Claudia Costin, fez um twitter para se comunicar com os professores. A Secretária tinha um e-mail muito difícil de ser memorizado, o que dificultava a interação. Com o uso do twitter, a Secretaria começou a receber 450 e-mails por dia e seu intuito é resolver os problemas e estar mais próxima dos professores da rede pública.

O exemplo da Cláudia deixa claro que a comunicação pública, com um pouco de vontade e com algumas quebras de barreiras burocráticas, pode ser planejada e trabalhada assim como uma empresa privada que procura a proximidade do relacionamento com seus públicos, para beneficiar a interação e manter os públicos bem informados.

4 comentários:

A Bordo 9 de dezembro de 2009 17:29  

Eu estou pensando neste assunto desde ontem, na dificuldade de achar teoria sobre planejamento em orgãos públicos, dei uma pesquisada, realmente, somente o Teobaldo fala de alguma coisa. E alguns cases de "órgãos públicos".

Em relação a se trabalhar com um planejamento com empresas privadas, pelo menos na faculdade eu acho melhor, como já disse para a Bruna.
Se eu estiver errada, estou aberta a critícas, vou colocar a visão que criei esse semestre.

Nós neste semestre trabalhamos com uma empresas privadas. Somos em 10 agências e as 10 trabalharam com o setor privado, com pequenas e médias empresas.

Claro que o planejamento de RP deve estar presente em todos os segmentos, mas esse setor academicamente falando, é melhor para trabalhar e aprendermos, uma vez que, na Metodista, são clientes reais r temos que fazer um programa de RP. Para isso temos que conhecer bem a empresa. Não teríamos essa "chance" se fosse um orgão público.

Academicamente acho um ponto positivo trabalhar com o privada, mas no mercado, temos que nos adatar assim como a Cláudia, quem sabe algum vê o post e se habilita a escrever alguma teoria. rs

No caso da Cláudia, como o Mauro diz, deveria ser a administração da Cláudia e não pública, uma vez que ela planejou tudo. rs
Um grande exemplo que se dá para trabalhar estratégicamente na esfera pública se bem planejado.

abraços,
Belle

Fernando Alves 9 de dezembro de 2009 20:23  

O Jorge Duarte tem um livro muito interessante sobre comunicação publica (Comunicação Pública: Estado, Mercado, Sociedade e Interesse Público)onde diversos pesquisadores tem seus artigos falando sobre o assunto e apresentando casos.
Vale a pena ler.
E acho muito interessante o interesse pela área pública tão carente de pesquisa e bons profissionais.

Promove's 10 de dezembro de 2009 17:30  

Estava pensando nisso está semana, ainda cheguei a comentar com uma menina da minha sala, a conversa era sobre o q fazer p/ o TCC (que teremos q fazer o ano q vem) e as duas disseram que a área Pública é muito interessante justamente pelos desafios ela impõe.

É uma área q eu acredito que irá crescer MUITO daki pra frente e que demandará cada vez mais profissionais qualificados.

Ju M Olinto
Equipe Promove's

Gláucia França 21 de dezembro de 2009 16:51  

Acredito que um grande problema em trabalhar com a área pública está no histórico da organização. Pois, conseguir informações sobre fundação e como já funcionou é complicado já no começo, pois quase nunca sabemos a quem recorrer.

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