quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ação Social versus Responsabilidade Social.

Por Mateus Martins, estudante de Relações Públicas da UFRGS

A Responsabilidade Social é um dos temas mais relevantes tratado recentemente. Contudo, sempre que um novo conceito é surge, dúvidas de sua abrangência e atuação também surgem, é o que está ocorrendo com este. E hoje, muito do que se denomina e se entitula como sendo vinculado à Responsabilidade Social, na verdade não é, e não passa de Ação Social.

Ação social, segundo o Instituto Ethos, é qualquer atividade realizada pela empresas para atender às comunidades em suas diversas formas (conselhos comunitários, organizações não governamentais, associações comunitárias), em áreas como assistência social, alimentação, saúde, educação, cultura, meio ambiente e desenvolvimento comunitário. Abrange desde pequenas doações a pessoas ou instituições até ações estruturadas, com uso planejado e monitorado de recursos, seja pela própria empresa, por fundações e institutos de origem empresarial, ou por indivíduos especialmente contratados para a atividade.

Já Responsabilidade Social é um conjunto de princípios que direciona as ações e relações das empresas com todos os fatores que a compreendem (funcionários, sociedade, governo, fornecedores, meio ambiente, consumidores, comunidade). É uma forma de conduzir os negócios que torna a empresa parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social. A ação da responsabilidade social preconiza que quem recebe seus benefícios está evoluindo; a ação social voltada à responsabilidade social não se prende ao presente, vai além: transforma para melhor o futuro de quem a recebe.

O Instituto Ethos caracteriza que uma empresa Responsável deve tratar Socialmente 7 itens:

Valores, transparência e Governança Valores e princípios éticos formam a base da cultura de uma empresa, orientando sua conduta e fundamentando sua missão social. A adoção de uma postura clara e transparente no que diz respeito aos objetivos e compromissos éticos da empresa fortalece a legitimidade social de suas atividades, refletindo-se positivamente no conjunto de suas relações.

Público Interno A empresa socialmente responsável não se limita a respeitar os direitos dos trabalhadores, consolidados na legislação trabalhista e nos padrões da OIT (Organização Internacional do Trabalho), ela deve ir além e investir no desenvolvimento pessoal e profissional de seus empregados, bem como na melhoria das condições de trabalho e no estreitamento de suas relações com os empregados.

Meio Ambiente A empresa deve criar um sistema de gestão que assegure que ela não contribui com a exploração predatória e ilegal de nossas florestas. Alguns produtos utilizados no dia-a-dia em escritórios e fábricas como papel, embalagens, lápis têm uma relação direta com este tema e isso nem sempre fica claro para as empresas.

Fornecedores
A empresa socialmente responsável envolve-se com seus fornecedores e parceiros, cumprindo os contratos estabelecidos e trabalhando pelo aprimoramento de suas relações de parceria. A empresa deve conscientizar-se de seu papel no fortalecimento da cadeia de fornecedores, atuando no desenvolvimento dos elos mais fracos e na valorização da livre concorrência.

Consumidores e Clientes
A responsabilidade social em relação aos clientes e consumidores exige da empresa o investimento permanente no desenvolvimento de produtos e serviços confiáveis, que minimizem os riscos de danos à saúde dos usuários e das pessoas em geral. Informações detalhadas devem estar incluídas nas embalagens e deve ser assegurado suporte para o cliente antes, durante e após o consumo.

Comunidade A comunidade em que a empresa está inserida fornece-lhe infra-estrutura e o capital social representado por seus empregados e parceiros, contribuindo decisivamente para a viabilização de seus negócios. O respeito aos costumes e culturas locais e o empenho na educação e na disseminação de valores sociais devem fazer parte de uma política de envolvimento comunitário da empresa, resultado da compreensão de seu papel de agente de melhorias sociais.

Governo e Sociedade
É importante que a empresa, na construção da cidadania, procure assumir o seu papel natural de formadora de cidadãos. Programas de conscientização para a cidadania e importância do voto para seu público interno e comunidade de entorno são um grande passo para que a empresa possa alcançar um papel de liderança na discussão de temas como participação popular e corrupção.

Um exemplo Fica claro, a partir desta análise, conceituar a sacola reutilizável comercializada nas redes Wall-Mart - se não for revista toda sua relação com os públicos estratégicos: em busca da alta produtividade da mão-de-obra, exerce um rígido controle da folha de pagamento (ou seja, funcionários que trabalham muito e ganham pouco), combate ferozmente a sindicalização, discrimina as mulheres, ainda aniquilam os competidores e oprimem os fornecedores - como um simples gesto de Ação Social.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Visibilidade e reputação digital.

Por Mateus Martins, estudante de Relações Públicas da UFRGS

Visibilidade é um dos motes essenciais da rede. Estar acessível num simples clic e ser encontrado numa rápida pesquisa são fatores que induzem à visibilidade, que é, na verdade, a medida da facilidade com que os utilizadores da web a encontram e interpretam.

Por isso, não basta publicar informações, criar sites ou blogs na web. É necessário fazer com que as suas informações, páginas na web e blogs sejam visíveis e acessíveis, para que todas as pessoas possam facilmente encontrar a informação nelas contida.

Para garantir a visibilidade digital é necessário ter em consideração três aspectos fundamentais que estão estritamente interligados: acessibilidade (modo como a informação possa ser acessada pelo máximo de pessoas possível), otimização para serviços de pesquisa (a capacidade de garantir que máquinas consigam processar informações e relações corretamente) e web design (aspecto gráfico, a criatividade, a construção de páginas, as condicionantes de acessibilidade, a influência nos resultados dos serviços de pesquisa).

Uma vez visível é preciso inferir uma boa reputação. Então, transmitir informações úteis e confiáveis, manter um bom relacionamento e manter uma conduta autêntica e eficaz junto às redes de contato e aos públicos estratégicos é o primeiro passo para galgar este objetivo.

A reputação digital é construída sempre pelo outro. O outro, a partir das mensagens transmitidas (fatos, opiniões, notícias, dados) do repertório pré-concebido (experiências, competências, informações adicionais e associações) e do sentido da percepção (fluxo de estímulos não planejados) constrói - formula, altera, corrobora, legitima - esta reputação. Por exemplo, quando colocamos uma avaliação para um vendedor no Mercado Livre ou quando comentamos algum post no blog de outro, estamos ajudando a construir sua reputação digital (que pode ser positiva ou negativa).

Avaliamos positivamente um vendedor e comentamos num blog a partir do que vimos e lemos (dados do vendedor e mensagens transmitidas no blog), do repertório que compreendemos (o que já sei sobre o vendedor e o que já li naquele blog) e da percepção que assimilamos (do histórico e da relação do vendedor e o que comentam e a relação do blog na web).

Logo, a reputação digital serve para gerar valor e feedback para as ações na web. É por meio da reputação digital que é possível criar referências de credibilidade quando precisamos delas dentro do caos de informação ou de ambientes - como os de comércio digital ou de postagens confiáveis.

O vídeo abaixo demonstra didaticamente estes dois conceitos trabalhados na web e a importância da comunicação neste contexto estratégico.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A palestra de Gisele H.

Por Mateus Martins, estudante de Relações Públicas da UFRGS

Os primórdios dos weblogs, a evolução dos blogs pessoais aos blogs profissionais, o diagnóstico dos blogs corporativos, a força de mobilização e persuasão dos blogueiros, a vida de blogueira, as experiências na blogosfera, estes foram alguns dos assuntos abordados na excelente palestra, Editoração Eletrônica - Blogs, de Gisele Honscha na noite de quarta-feira, 01 de outubro, na disciplina Assessoria Institucional, na FABICO/UFRGS. Com previsão inicial de 1h30, contudo o assunto interessante e a curiosidade dos espectadores, a conversação entre Gisele H e os presentes, durou em um agradável bate-papo por mais de 2h.

Abrangência
Desde os primeiros blogs surgidos, em 1997, no Brasil - chamados de web diários - até os blogs profissionais e hoje os blogs corporativos, não foram somente 11 anos que se passaram, e sim, muita coisa alterou a blogosfera e a blogosfera alterou muita coisa. Das cotidianas postagens com textos sobre o seu dia, suas poesias, suas crônicas, hoje, os blogs corporativos e profissionais (mercadológicos) representam mais do que um transparente canal de interação entre as partes interessadas, e sim um meio de divulgação, promoção, credibilidade, legitimidade, visibilidade de marcas, produtos e serviços. Para isso, qualquer blog ou blogueiro, para atender a esta nova demanda, se empenham na mais nova estratégia de marketing 2.0, o buzz marketing. O que buscamos na rede é gerar este fenômeno da rápida multiplicação para levar uma mensagem a milhares de pessoas, o buzz – define Gisele.

Cases
Com certeza, o ponto alto da noite foi a apresentação de algumas experiências pessoais que participou e alguns casos que presenciou na blogosfera. Desde a polêmica dos blogs de aluguel do hidropônico i9 da Coca-Cola até a brincadeira, de buzz à capa da Revista Playboy, que levou três blogueiras a um ensaio sensual.

Blogs de aluguel?
O Blue Bus noticiou a ação, da coca-cola com o novo produto, o hidropônico i9, que enviou a 9 blogueiros uma mini geladeira personalizada, que se ligava através da porta USB do computador, contendo, em primeira mão, uma garrafa de i9. Um exemplo destes blogs seria o Radar 55(link). O blue bus chamou estes 9 de blogueiros de aluguel.

Logo, a polemica estava instaurada, e o Sim Viral (1 dos 9) postou sobre o caso blogs de aluguel: Jamais escrevemos um post patrocinado ou fomos alugados por alguma empresa. Colocar em dúvida a integridade do SimViral, taxando o blog como alugado é inadmissível dentro de um ambiente democrático e livre como é a internet. Isso só retarda a evolução da nossa blogosfera, que fica estagnada em discussões que não levam a lugar nenhum.

Realmente a discussão ainda não levou a lugar algum. Uns clamam por ética, outros proferem o profissionalismo, contudo, na realidade, sem qualquer resolução a respeito e inserido no modelo de liberdade de expressão, postar ou não postar, nesta realidade, é uma posição, que individual ou corporativa, simboliza os princípios e o direito de qualquer blogueiro. Gisele, particularmente, não se incomoda e confessa que em seu blog já retribuiu press kits com postagens: Não vejo problema algum em receber brindes para postar.

As blogueiras na Playboy!

Todo hype começou quando alguns blogueiros começaram a montar capas da Revista Playboy, e nestas sempre estrelavam algumas blogueiras consideradas símbolos sexuais. A partir daí, diversos blogueiros decidiram lançar esta campanha. Logo, eram dezenas as candidatas em potencial para a revista.

Aí entrou a Axe, a marca por trás que há tempos domina o marketing para o público masculino. Gisele, então da agência que atendia a conta Axe, ficou responsável não só pelo contato com três lindas blogueiras e convencê-las do ensaio sensual para o calendário da revista, mas também por toda relação da ação com os blogs. Começou como uma grande brincadeira e como uma das envolvidas neste projeto, deu um orgulhozinho em ver a coisa concretizada – Gisele Honscha comenta sobre o caso. Ou seja, do buzz da rede à capa da Playboy, fica comprovado o poder de mobilização e persuasão dos blogs e blogueiros na realidade 2.0. E como manda o figurino, o pré-lançamento da Revista foi no BlogCamp PR, na cidade de Curitiba.


Assista abaixo o maiking off do ensaio das três blogueiras na Playboy.



Ocappuccino agradece imensamente os ensinamentos e a troca de experiências que a Gisele Honscha proporcionou aos alunos do oitavo semestre da Faculdade de Bilbioteconomia e Comunicação da UFRGS, na noite de 01 de outubro de 2008.

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