Por Mateus Martins, estudante de Relações Públicas da UFRGS
Li na Exame 946, ná página 84, a Ofensiva da Petrobras e o que me chamou atenção, mais do que o próprio conteúdo do texto, foi o destaque atribuído às relações públicas no subtítulo: Para barrar a CPI, a empresa iniciou uma grande operação de articulação política e de relações públicas - um movimento no qual a faceta de estatal tem prevalecido sobre a de corporação global.
Reza a sabedoria popular que é possível saber como uma CPI começa, mas é impossível saber como ela vai terminar. A imprevisibilidade, somada ao fato de que as investigações podem arruinar a reputação de corporações, transforma a condição de alvo desta investigação em um dos piores pesadelos organizacionais. Ao certo sabemos que aprovada no Senado em meados de maio, a CPI da Petrobras ainda não tinha instalada até a data de veiculação da revista (1° de julho), pois depois de 3 tentativas e dois meses de negociação a CPI saiu do papel e foi instaurada em 14 de julho (mas os trabalhos só começarão em agosto, com o controle do governo, é claro, pois na CPI a presidência é do PT e relatoria é do PMDB). Menos mal para a empresa!
A Petrobras não é uma empresa qualquer, trata-se da maior companhia brasileira e uma das maiores do mundo. Nos próximos quatro anos, planeja investir 174 bilhões de dólares e a última coisa que a direção da Petrobras - e o próprio governo - desejavam neste momento é ter esses projetos atravancados por uma investigação parlamentar.
E por este motivo lançou mão de duas estratégias, que, tendo em vista o tempo em que a comissão ficou de molho no Senado, foram bastante produtivas: articulação política e relações públicas. O texto da revista divide estas duas estratégias, contudo eu não as diferencio (não querendo puxar a brasa para o nosso assado, mas já puxando), pois considero a articulação política (o lobby – bem ao estilo Spin Doctor – como nos EUA em que ser lobista é uma profissão reconhecida e a atividade em si é regulamentada por leis e não no sentido brasileiro pejorativo/depreciativo), uma ferramenta das relações públicas. Então, para nível de entendimento, distinguo as ações em dois canais, comunicação interpessoal e interação mediada por computação:
Comunicação interpessoal
Nesse aspecto, a Petrobras é uma companhia diferente, e não apenas por seu porte ou importância estratégica. Sabemos que ela não funciona como os Correios, que apanharam do começo ao fim da CPI que os investigou em 2005. É uma empresa agressiva, forte e ágil. E partiu para o ataque. E para isso, a Petrobras tem na presidência de uma de suas coligadas, a BR Distribuidora, um profundo conhecedor da dinâmica e das idiossincrasias do Senado Federal. Trata-se de José Eduardo Dutra, ex-senador pelo PT de Sergipe, que desde o início de junho, a cada terça-feira deixava a sede da empresa, no Rio de Janeiro, e viajava para Brasília, de onde só voltava na quinta-feira à noite.
Sua função era basicamente fazer lobby, articulação política, ou seja, monitorar o humor dos parlamentares em relação à Petrobras e tentar enfraquecer o movimento pró-CPI. Diariamente, Dutra municiava de informações o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Gabrielli também saiu a campo, percorrendo gabinetes de senadores, inclusive os da oposição, para falar da inconveniência da CPI para o país. Ele se valia do ótimo e pertinente argumento de que a investigação só serviria para dar popularidade a políticos e atrapalhar a execução do plano de investimentos da empresa, prejudicando o desenvolvimento do país.
Interação mediada por computação
Já foi postado aqui e muito comentado sobre o blog Fatos e Dados (agora com endereço e hospedagem nova, antes o petrobrasfatosedados.wordpress.com agora é blogspetrobras.com.br/fatosedados e com o tamplate remodelado, ver imagem).

Neste tempo todo, muitas versões foram discutidas, uns a favor, outros contra a atitude, e a revista, representando seu papel imparcial, traz também ambas as versões: Não faz sentido uma empresa que precisa ganhar espaço na mídia criar conflito desnecessário com jornalistas, disse a diretora de uma das maiores agências de comunicação do país e Foi uma grande sacada. Expôs a imprensa toda e colocou a mídia na defensiva, disse um diretor da estatal.
Importante destacar o papel das relações públicas nesta estratégia da Petrobras de gerenciamento desta delicada situação e também o destaque que um respeitado veiculo oferta às relações públicas, percebendo e destacando o termo no subtítulo da matéria. A empresa lançou mão destas duas estratégias ofensivas de comunicação, pode-se perceber, sem idealismos e juizo de valor políticos, a intenção de partir para o ataque e antever cenários futuros. E você, concorda com esta postura da Petrobras?