quinta-feira, 10 de julho de 2008

O Diabo Veste Prada e o Relações Públicas ...

Por Juliana Picoral Solano e Rodrigo Avila Colla, estudantes de Relações Públicas da UFRGS


O filme O Diabo Veste Prada vale como uma crítica a postura dos profissionais da área de comunicação que aceitam o título de tarefeiros e se conformam com a função de auxiliar.

No início do filme quando relata ao namorado Nate (Adrian Grenier) as dificuldades do novo trabalho em virtude da sua inadequação aos padrões da Runway, Andy ouve a seguinte máxima: Você não precisa entender de moda [*e nem de relações públicas] para atender o telefone e servir cafezinho.


Fazendo uma alusão a nossa realidade, para que não sejamos Andys no futuro, devemos ter em mente a necessidade de provar nosso verdadeiro valor ao mercado e isso começa na universidade.


Quem dentre nós já tomou a iniciativa de comunicar às vedetes da academia que não suportamos mais as aulinhas redundantes e os papinhos de murais com florzinhas, rendas e corações? com esse conformismo e inércia mórbidos, seremos no máximo ótimos servidores de capuccinos e resolvedores de broncas via telefone. Nossas titias se tornarão vovozinhas e continuarão a nos chamar de nossos queridinhos gestores, até o dia em que, com a cabeça nas estrelinhas reluzentes dos nossos murais, mancharmos o contrato do cliente mais importante de uma Miranda qualquer com café e... Bom, mas daí, antes mesmo que se possa dizer Você está despedido (a), nós, com nossas brilhantes mentes ensinadas para a gestão de crises (que podem vir até a salvar o mundo um dia) no nobre curso de relações públicas, responderemos em milésimos de segundo na resolução do problema.

Os relações públicas que se encontram em tal situação devem mostrar do que são capazes, pois é responsabilidade do profissional mostrar suas verdadeiras habilidades de comunicador e que está habilitado a realizar tarefas de maiores dimensões e relevância para a empresa em que trabalha. Ou ainda, a exemplo de Andy no final do filme, procurar um emprego que valorize e justifique a sua formação em nível superior.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Relações Públicas e Blogs.

Por Massimiliano Delazeri e Diego Augusto, estudantes de Relações Públicas da UFRGS


Entrevista com Rodrigo Cogo do site www.mundorp.com.br

Para nos ajudar a entender melhor as possibilidades, vantagens e desvantagens de algumas de novas ferramentas, a Internet e em especial os blogs, conversamos com Rodrigo Cogo, profissional autônomo de Relações Públicas em áreas como planejamento de comunicação, assessoria de divulgação, produção cultural, marketing de relacionamento, ações promocionais e estratégias via internet. Formado em RRPP pela Universidade Federal de Santa Maria e duas vezes vencedor do SET Universitário da FAMECOS – PUCRS.

Ocappuccino: Como a Internet alterou o trabalho de Relações Públicas?

Rodrigo Cogo: Estamos no Brasil ainda numa fase em que preço é o grande atrativo, mas chegaremos em breve num ponto em que a marca será decisiva na opção das pessoas. Uma marca é construída com base em bons relacionamentos, inclusive comunicativos, onde o RP tem total conhecimento de causa no sentido de personalizar, dirigir e ser eficiente em suas mensagens.
A Internet potencializa o alcance de mensagens, fragilizando conceitos de imagem e reputação, ao mesmo tempo em que abre possibilidades imensas de estabelecimento de diálogo franco e aberto com os diversos públicos de interesse, conseguindo obter informações fundamentais para um (re) direcionamento das ações empresariais e institucionais tendo como foco as pessoas e seus efetivos interesses pessoais e coletivos num mundo sustentável. A internet coloca de maneira positiva e incisiva qualquer pessoa no poder de gerar informação e difundir idéias com agilidade e baixos custos, e esta liberdade de expressão é salutar se aproveitada com responsabilidade.

Ocappuccino: Que ferramentas da internet podem ser utilizadas para fazer Relações Publicas?

Rodrigo Cogo: O que interessa mesmo na ação de Relações Públicas via internet não é o tipo de ferramenta, mas o motivo de se utilizar, ou seja, o planejamento estratégico que define as interfaces principais de relacionamento. De toda maneira, entre as ferramentas hoje disponíveis estão o e-mail, o website, as e-news, o chat, o blog, as comunidades nas redes sociais, o MSN, o patrocínio de espaços interativos, os sistemas wiki, a distribuição de conteúdo por áudio (podcast) e vídeo (tipo YouTube e similares).

Ocappuccino: E o blog, é valido como ferramenta para as RP?

Rodrigo Cogo: Não. Trata-se de um canal importante de estabelecimento de diálogo e de uma relação efetivamente transparente com vários públicos, dentro de um processo de posicionamento como empresa sustentável. A abertura deste espaço precisa estar condicionada a uma postura prévia na organização no sentido de ouvir os públicos de interesse e em efetuar alterações na dinâmica empresarial a partir destes feedbacks. Do contrário, não há sentido em instalar um blog que não corresponda aos valores existentes da organização.

Ocappuccino: O que preciso fazer para ter uma boa participação no meu blog, fazê-lo se destacar entre milhares de outros e utilizar todo o seu potencial como canal de Relações Públicas?

Rodrigo Cogo: Há alguns pontos fundamentais para obter destaque num oceano de opções de fonte de informação e entretenimento semelhantes através da internet, e mesmo de pontos de atração da atenção fora da rede. Entre estes está o caráter inédito dos conteúdos ou da análise de conteúdos já existentes, a capacidade de interconexão com diferentes canais como complementação do argumento e a instauração de formatos diversificados de interatividade com a audiência, que precisa construir a qualidade da mensagem e do debate junto com o gerenciador original do blog.

Ocappuccino: Como medir resultados nas ações de RP pela Internet?

Rodrigo Cogo: Empresas já têm oferecido monitoramento de redes sociais, blogs e chats buscando a citação e a qualificação da citação sobre determinadas organizações, comparando com a concorrência e este formato é o mais convencional. Pode se monitorar o número de cadastramentos efetuados, o número de emails trocados sobre determinado assunto e o impacto desta troca nos canais convencionais de atendimento às pessoas como telefone, a clipagem eletrônica, as taxas de clique sobre os assuntos, a indicação do site como favorito pelo visitante e as referências ao site em outros canais e assim sucessivamente.

A Relações Públicas da Governadora.

Por Débora Dias e Elisiane da Silva Quevedo, estudantes de Relações Públicas da UFRGS

Uma entrevista com Ana Maria Jung, Assessora de Comunicação do Governo do Estado.

Formada em Relações Públicas e Jornalismo pela Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Rio Grande Sul (PUC-RS), Ana Maria Jung integra a equipe de comunicadores que trabalha na Secretaria de Comunicação do Palácio Piratini, sendo responsável pelo assessoramento direto à Governadora Yeda Crusius.

A Relações Públicas, que hoje ocupa um cargo em comissão, começou a trabalhar com comunicação e política em 1993 (como estagiária no próprio Palácio Piratini), já trabalhou com outros governadores, prefeitos e também na Assembléia Legislativa do Estado.

Ocappuccino: Como você começou a trabalhar com comunicação e política?


Ana Maria Jung: No governo do Alceu Colares. No Palácio Piratini tinha uma Secretária de Comunicação Social e tinha as subdivisões: Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas. Eu entrei como estagiária de Relações Públicas em 1993, e fiquei até 1995, quando terminou o governo dele e começou o governo Brito. Como me formei em Relações Públicas, no final de 1995, mas continuei estudando Jornalismo, permaneci como estagiária, mas agora como estagiária de Jornalismo. No ultimo ano do governo Brito, 1998, consegui um cargo no Palácio Piratini. Quando eu saí, fui trabalhar na Assessoria de Imprensa Geral da Assembléia Legislativa, prestei assessoria a deputado e prefeito no interior, tive outras experiências.

Ocappuccino: Como é o seu trabalho dentro do Governo do Estado?

Ana Maria Jung: Aqui tem várias editorias. A Governadora tem uma assessoria própria, tem profissionais que são ligados diretamente a ela, que acompanham ela. No caso, eu me incluo nesse perfil. Eu respondo entrevistas, atendo a imprensa, acompanho a governadora - eu também trabalhei na campanha dela. É uma relação mais ligada à autoridade mesmo, mas que envolve questões de Jornalismo e Relações também, que é o relacionamento com a Imprensa, responder as questões que surgem, fazer um atendimento mesmo. E também preparar a autoridade para possíveis conflitos que possam aparecer.

Ocappuccino
: Quais as dificuldades e facilidade do seu trabalho?

Ana Maria Jung: A dificuldade é que cada momento é um momento, não é uma coisa estática, previsível. As crises ocorrem na política em todos os sentidos, então você tem que estar sempre atento. Na verdade não seria bem uma dificuldade, mas um desafio, tu estar atento a tudo, a toda mudança, a tudo que está acontecendo, a informação. Estar preparado sempre para atuar em qualquer situação.

Ocappuccino: O que tem de positivo e negativo na Assessoria de Comunicação do Governo do Estado?

Ana Maria Jung: Positivo é a estrutura, tem gente competente, que tem bastante experiência nas suas áreas. A especialização, a experiência das pessoas no que fazem, isso é muito positivo. O que poderia ser diferente para ser melhor, é que como tudo é muito grande e é muito rápida a movimentação das coisas e dos acontecimentos. Então acontece uma enchente lá no interior, acontece um vento (...). É uma estrutura grande, o governo, o estado em si, e não tem como prever certas coisas para poder atuar com mais intensidade, com mais foco. Mas acho que isso não é um defeito, uma falha da comunicação, acho que isso acontece com qualquer estrutura grande e que tem grandes responsabilidades.

Ocappuccino
: Como você percebe o trabalho dos profissionais de Relações Públicas na comunicação política?

Ana Maria Jung: Eu acho que têm poucos Relações Públicas, acho que poderia ter muito mais, a profissão de Relações Públicas na política, ela não (...). Até porque sempre existiu uma rixa com os jornalistas no sentido de garantir espaço. Falta clareza do papel dos Relações Públicas, as pessoas confundem muito essa questão do atendimento e reduzem drasticamente a atuação dos Relações Públicas a essa questão do atendimento.

Ocappuccino: O trabalho dos Relações Públicas no Governo do Estado está muito restrito a eventos?

Ana Maria Jung
: Eu acho que nem isso, eu acho que na política eles não chegam a atuar nem nisso. Em muitos lugares as pessoas não têm formação de Relações Públicas e atuam em eventos. Acho que a prefeitura talvez tenha alguns, mas no Governo do Estado, por exemplo, eu até nem gostaria de dizer isso, mas não são Relações Públicas. São pessoas que tem formação, são competentes na área de eventos, mas não são Relações Públicas.

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